HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A História do Siberiano e Padrão Racial


O mundo polar Ártico, onde vivem tribos esquimós junto
a seus cães nórdicos a muitos milênios, pode ser comparado
com os filmes e novelas de ficção por sua inospitalidade e
sua desolação. Por séculos e séculos, as civilizações
ocidentais não acreditavam que podería haver vida humana
nestes lugares gelados onde as temperaturas variavam de 40°
a 67° centigrados negativos e durante meses, em noites
intermináveis. O ano polar se divide em duas estações: o
inverno frio e longo e o verão mais tranquilo e curto.
Neste mundo hostil se encontram bem arraigados as tribos
de esquimós e cães árticos vivendo desde milênios em harmonia
com esse meio de dramaticidade e agruras.
Desde vinte mil anos atrás, quase toda a calota polar do final
do último período glacial recobria uma boa parte do Hemisfério
Norte. A medida que o calor se fazia sentir e a frente polar
retrocedia, as plantas seguiam mudanças climáticas. Os animais
seguiram as plantas e os homens, os animais que caçavam.
Durante estas migrações também seguiram os chacais e os
lobos polares e parece que puderam ter sido realizados alguns
cruzamentos acidentais durante essa caminhada. O lobo
polar (lobo ártico) é uma espécie mais robusta que seus pares
de regiões mais temperadas. Os cães árticos evidenciavam
certas características que permitiam supor a presença do aporte
genético destes similares selvagens lupóides.

As tribos esquimós sempre acompanhadas de seus cães,
sem os quais não haviam podido sobreviver e seguir estas
longas migrações até o norte. Se estabeleceram as margens
do Mar Ártico para pescar e caçar nos domínios de focas,
morsas e ursos polares. Outras tribos se instalaram terra
adentro ocupadas por florestas boreais com emaranhados
de árvores, tundras, planicies recobertas por gelo e neve por
onde habitavam ursos, lobos e grandes manadas de renas
e alces. Seus formidáveis cães, de grande robustez e resistência
no solo eram utilizados para o translado de seus trenós em
busca de novos habitats e novas pastagens bem como novas
regiões para a caça. Contavam com excelentes qualidades e
olfato desenvolvido que lhes permitia, a esses cães, encontrar
uma pista de urso ou presa recoberta de neve e seguí-las por
dias e dias sem descanso. Também no inverno eram utilizados
para detectar poços de respiração que as focas faziam através
do gelo e assim poder dar-lhes a caça. Mas a sua valentia não
se resumia a estas qualidades só, já que nas caçadas de ursos
polares, os cães enfrentavam a estes mordendo-lhes suas patas
traseiras até imobilizar-los para a chegada do caçador. As tribos
esquimós, realmente, dependiam muito de seus magníficos cães
os quais criavam a sua maneira e os respeitavam por tudo o que
eles representavam para suas vidas em leal e real comunhão.

Tal como indica o nome da raça, o Husky Siberiano é nativo das
geladas planícies da Sibéria, sendo um tipo de cão muito
difundido nas zonas situadas ao norte do Lago Baikal e ao longo
do Rio Kolima e seus afluentes, região conhecida por Sibéria
Central.
Como ocorre com as raças caninas mais antigas ou com as
procedências das civilizações não Européias, a origem do Husky
Siberiano não pode ser estabelecida com precisão. Existem
autores que sugerem, não sem um certo grau de especulação
por sua parte, que o Husky descende diretamente do lobo,
baseando tal afirmação em determinados perfis que caracterizam
esta raça, tais como seu comportamento, seu aspecto físico,
cores e consistência de sua pelagem e, em partiicular, ao seu
uivo, por certo e notavelmente parecido com o lobo. Não obstante
é difícil sustentar esta posição sem dispor de uma informação
mais consistente ou contar com fontes históricas científicas e,
notadamente, confiáveis.

Neste sentido, o único dado que permite especular com a
possibilidade antes apontada é existência de pinturas rudicas
no vale de Pegtymel, na região russa de Tchoutka, onde se pode
observar a representação de um tipo de canídeo com tipo e
características físicas que recordam a dos lobos selvagens das
estepes russas em cenas relacionada com a casa do reno.
Dando por verdadeiro que o canídeo destas pinturas é um husky
ou um antecessor direto da raça, é possível que antes de ser
usado como cão de trenó, este era usado como auxiliar e como
cão de caça pelas tribos que habitavam esta região da Sibéria.
Estas tribos esquimós se denominavam Chukchi, que, de certo
modo e por derivação do próprio nome, se deriva o atual nome
da raça siberiana.

Na verdade, o único dado certo e constatável e que o husky foi
Conhecido pelos ocidentais depois que, estes, tiveram contato
Com os povos Chukchi, durante o século XIX.
Os Chukchi selecionaram e domesticaram os exemplares desta
Raça e os adestraram para atuar como cães de tração e carga,
Especialmente para trabalhar com os trenós, tanto em cargas
como em cargas medianas e até com certo peso.

Neste sentido é interessante mencionar que os Chukchi
diferenciavam dois tipos de husky segundo sua resistência e
robustez... Os capazes de percorrer distâncias longas
em um periodo menor de tempo, ou seja, os mais ágeis e de
peso menor e os mais dedicados ao transporte de mercadorias...
pele, caça, ou seja, um tipo mais pesado e resistente.

A economia destes povos, os Chukchi, originalmente caçadores
e recolectores, os levaram até a costa do Mar de Bering, de onde
se dedicaram a caça e a pesca, tornando-se especialistas na
captura de ursos e raposas, atividade em que o husky, com
particular valor, os acompanhavam.
Em meados do século XIX, americanos e russos se lançaram a
busca de peles finas devido ao elevado valor que alcançavam
nos mercados europeus, principalmente na Inglaterra e França.
foi neste período que os ocidentais estabeleceram um contato
com os povos Chukchis e os primeiros exemplares da raça foram
levados para a Europa e América do Norte (Alasca), em grande
medida devido a facilidades que estes cães transportavam, em
trenó, estas mercadorias preciosas.
segundo relatos da época, o processo de seleção destes cães
eram de extrema exigência. Consistia em conservar, sómente,
aqueles exemplares que respondiam satisfatóriamente o que eles
consideravam o tipo ideal da raça: Exemplares com cabeça
alongada, de tamanho médio, de peito profundo e com patas
finas e musculosas.

Um elevado número de fêmeas eram sacrificadas ao nascer,
permitindo a sobrevivência sómente daquelas que se mostravam
resistentes e ativas. Este processo de seleção resultou em
uma população canina de huskies homogênia que não deixou de
surpreender os primeiros europeus que entraram em contato
com estes animais.
A introdução do husky no ocidente como raça reconhecida data
do começo do século passado, como ficou registrado em uma
competição que operou grande valor documental e oficial para
os especialistas na raça. Nos referimos a competição entre Nome
(localidade situada no Estreito de Bering) e Candle (Alaska)...
Prova que percorre uns 600 quilômetros e no qual destacaram-se
no ano de 1909, quando se levou a cabo da primeira edição desta
prova, uns cães husky que, como resultado de suas excepcionais
atuações, concentraram a admiração e o elogio do público destas
localidades. Assim, esta raça ficou definitivamente incorporada
no mundo das raças caninas reconhecidas pelo ocidente.
O grupo de exemplares que participaram daquela competição,
adquiridos por um comerciante de peles dos Chukchis, se
constituíram no núcleo, que a partir do qual, se deram início as
distintas correntes genealógicas que conduziram a os atuais
huskies europeus e americanos.
Vários dos exemplares que acompanharam ao cientísta e explora
dor norueguês Amundsen na conquista do Polo Sul eram precisa
mente exemplares descendentes do grupo que participó daquela
competição.
A partir de então, o husky foi se transformando em uma raça
muito popular na América do Norte, especialmente no Canadá
e no norte dos Estados Unidos, sendo reconhecida definitiva
mente como raça no American Kennel Club (AKC) em 1930,
ano em que foi redigido o primeiro padrão oficial da raça que
seria revisado e modificado em 1938. Um ano mais tarde, em
1939, o Canadian Kennel Club reconhece e adota o padrão do
clube americano. Mas na década de 50 quando o husky
é reconhecido na Europa como uma raça oficial, sendo precisa
mente em 1951, a Federação Cinológica Internacional,
com sede na Suiça, reconhece a raça e reedita seu padrão.


Padrão Racial

Aparência Geral - O Husky Siberiano é um cão de trabalho de tamanho médio, rápido e de movimentação livre e graciosa. Seu corpo moderadamente compacto e coberto de pêlos, orelhas eretas e cauda em pincel sugerem sua herança nórdica. Seu movimento característico é suave e não aparenta esforço. Ele desempenha sua função original de cão de trenó com muita eficiência, transportando carga leve a uma velocidade moderada através de grandes distâncias. Suas formas e proporções corporais refletem este equilíbrio básico de poder, velocidade e resistência. Os machos da raça Husky Siberiano são masculinos, mas nunca grosseiros. As fêmeas são femininas, mas sem fraqueza de estrutura. Em condições adequadas com os músculos firmes e bem desenvolvidos, o Husky Siberiano não apresenta excesso de peso.

Cabeça
Crânio - De tamanho médio e em proporções ao corpo ligeiramente arredondado no topo e afinando gradualmente do ponto mais largo para os olhos.
Defeitos: Cabeça grosseira ou pesada e cabeça demasiadamente cinzelada.
Focinho - De comprimento médio, isto é, à distância da ponta do nariz ao stop é igual à distância do stop ao osso occipital. O stop é bem definido e a cana nasal é reta do stop a ponta da trufa. O focinho é de largura média afinando gradualmente em direção ao nariz, com a ponta nem pontuda nem quadrada. Os lábios são pigmentados e secos. Os dentes se fecham em uma mordedura em tesoura.
Defeitos: Focinho muito pontudo ou muito grosseiro. Focinho muito curto ou muito longo. Stop insuficiente. Qualquer outra mordedura que não a em tesoura.
Orelhas - De tamanho médio, formato triangular, rentes e inseridas altas na cabeça. São grossas e bem peludas, ligeiramente arqueadas atrás e fortemente eretas, com pontas ligeiramente arredondadas apontando retas para cima.
Defeitos: Orelhas muito grandes em proporção à cabeça, inseridas muito separadas e não fortemente eretas.
Olhos - Formato amendoados, moderadamente espaçados e inseridos um pouco obliquamente. A expressão é penetrante, mas amistosa, interessada e mesmo maquiavélica. Os olhos podem ser de cor marrom ou azul ou um de cada cor ou, ainda, parte coloridos.
Defeitos: Olhos inseridos muito obliquamente e muito juntos.
Nariz - Pretos nos cães cinzas, canela ou fígado nos cães avermelhados. Pode ser cor de carne nos cães brancos puros. O nariz-de-neve raiado de rosa é aceitável.

Corpo
Pescoço - De comprimento médio, arqueado e portado altivamente ereto quando o cão está parado. Quando ele se move em trote, o pescoço se estende de maneira que a cabeça é portada ligeiramente para frente.
Defeitos: Pescoço muito grosso e curto ou muito longo.
Ombros - A omoplata é colocada bem para trás num ângulo aproximado de 45° do chão. O úmero angula ligeiramente para trás da ponta do ombro ao cotovelo, e nunca é perpendicular ao chão. Os músculos e ligamentos sustentando o ombro à caixa torácica são firmes e bem desenvolvidos.
Defeitos: Ombros retos e soltos.
Peito - Profundo e forte, mas nunca muito largo, com o ponto mais profundo estando atrás e em nível com os cotovelos. As costelas são bem arqueadas a partir da coluna, mas não achatadas do lado para permitir liberdade de ação.
Defeitos: Peito muito largo. Costelas em forma de barril e costelas muito achatadas e fracas.
Dorso - O dorso é reto e forte, com uma linha superior nivelada da cernelha à garupa. Ele é de comprimento médio, nem curto e nem comprido. O lombo é teso e seco, mais estreito que a caixa torácica e ligeiramente esgalgado. A garupa inclina para fora da espinha em um ângulo, mas nunca tão escarpadamente a ponto de restringir a propulsão traseira. De perfil, o comprimento do corpo da ponta do ombro à ponta traseira da garupa é ligeiramente maior que a altura do corpo, do chão ao topo da cernelha.
Defeitos: Dorso fraco ou selado. Dorso carpeado e linha superior inclinada.

Pernas e Pés
Pernas Dianteiras – Anteriores - Quando o cão está parado e é visto de frente, as pernas são moderadamente espaçadas, paralelas e retas, com os cotovelos junto ao corpo e sem virar para dentro nem para fora. Vistos de lado, os metacarpos são ligeiramente inclinados. As articulações são fortes, mas flexíveis. A ossatura é substancial, mas nunca pesada. O comprimento da perna do cotovelo ao chão é ligeiramente maior que à distância do cotovelo ao topo da cernelha. Quintos-dedos nas pernas dianteiras podem ser removidos.
Defeitos: Metacarpos fracos. Ossos muito pesados estreitos ou muito largos na frente. Cotovelos abertos.
Pernas Traseiras – Posteriores - Quando o cão está parado e é visto por trás, as pernas traseiras são moderadamente espaçadas e paralelas. As sobrecoxas são bem musculosas e poderosas. Os joelhos são bem angulados. As juntas dos jarretes bem definidas e baixas em relação ao solo. Quintos-dedos (ergots), se houver, devem ser removidos.
Defeitos: Joelhos retos. Jarretes de vaca. Traseira muito estreita ou muito aberta.
Pés - De formato oval, mas não longos. Os pés são de tamanho médio, compactos e bem peludos entre os dedos e as almofadas plantares. As almofadas plantares são duras e bem acolchoadas. Os pés não viram para dentro nem para fora quando o cão em postura normal.
Defeitos: Dedos fracos ou espalmados. Pés muito grandes e grosseiros ou muito pequenos e delicados. Dedos virando para dentro ou para fora.

Cauda
A cauda bem peluda de formato de cauda felpuda de raposa é inserida exatamente abaixo do nível da linha superior, e é geralmente portada sobre o dorso numa graciosa curva de foice quando o cão está atento. Quando portada para cima, a cauda não deve enrolar para nenhum dos lados do corpo, nem deve ficar achatada contra o dorso. Uma cauda caída e pendente é normal para o cão quando está trabalhando ou em repouso. O pêlo na cauda é de comprimento médio e aproximadamente do mesmo tamanho na inserção, lados e por baixo, dando a aparência de uma escova redonda.
Defeitos: Uma cauda quebrada ou enrolada. Cauda altamente emplumada e cauda inserida muito alta ou muito baixa.
Movimentação
A movimentação característica do Husky Siberiano é macia e não aparenta esforço. Ele é rápido, ágil e leve sobre os seus pés, e quando apresentado nas exposições cinófilas deve ser exibido em guia solta num trote moderadamente rápido mostrando bom alcance na parte dianteira e boa propulsão na parte traseira. Quando visto de frente para trás, andando, o Husky Siberiano não faz trilha única, mas conforme aumenta a velocidade as pernas angulam gradualmente para dentro até que as almofadas plantares estejam caindo numa linha diretamente sob o centro do corpo. Conforme as marcas das patas convergem, as pernas traseiras e dianteiras são levadas diretamente para frente, sem que os cotovelos ou os joelhos virem para dentro ou para fora. Cada perna traseira se move na marca da dianteira do mesmo lado. Enquanto o cão se movimenta, a linha superior se mostra firme e nivelada.
Defeitos: Movimento curto, saltitante ou irregular. Movimento balançado ou desajeitado. Movimento cruzado e movimento de caranguejo.

Pelagem
A pelagem do Husky Siberiano é dupla e de comprimento médio, dando uma aparência bem peluda, mas nunca é tão longa a ponto de obscurecer a aparência bem definida do cão. O subpelo é macio e denso de comprimento suficiente para manter a pelagem externa. Os pêlos protetores da pelagem externa são retos e pouco caídos uniformes, nunca ásperos ou altos. Deve ser notado a ausência de subpelo durante a estação de muda é normal. O trimming de bigodes e tufos entre os dedos e em torno dos pés para apresentar uma aparência arrumada é permissível. O trimming em qualquer outra parte do cão não deve ser tolerado e deve ser severamente penalizado.
Defeitos: Pelagem longa, áspera ou felpuda. Textura muito áspera ou muito sedosa. Trimming de pelagem, exceto o permitido.

Cor
Todas as cores do preto ao branco puro são permitidas. Uma variedade de marcas na cabeça é comum, incluindo muitas marcações no padrão não encontrados em outras raças.

Temperamento
O temperamento característico do Husky Siberiano é de característica amigável e gentil, mas atento e expansivo. Ele não exibe as qualidades possessivas do cão de guarda, nem é muito desconfiado com estranhos ou agressivo com outros cães. Algumas medidas de reserva e dignidade podem ser esperadas de um cão amadurecido. Sua inteligência, tratabilidade e boa disposição fazem dele uma companhia agradável e um cão de trabalho muito disposto.


Tamanho – Altura
Machos: 53 a 60 cm
Fêmeas: 51 a 56 cm

Peso
Machos: 20,5 a 27 kg
Fêmeas: 16 a 22 kg

Desqualificação: Machos acima de 60 cm e Fêmeas acima de 56 cm.
Sumário
As mais importantes características raciais do Husky Siberiano são o tamanho médio, ossatura moderada, proporções bem balanceadas, facilidade e liberdade de movimentos, pelagem adequada, cabeça e orelhas atraentes, cauda correta e boa disposição. Qualquer aparência de ossatura ou peso excessivo, movimento restrito ou desajeitado, ou de pelagem longa e áspera, deve ser penalizada. O Husky Siberiano nunca parece tão pesado ou grosseiro a ponto de sugerir um animal de carga; e nem é tão leve e frágil para sugerir um animal de corrida. Em ambos os sexos, o Husky Siberiano dá a impressão de ser capaz de grande resistência. Em acréscimo aos defeitos já observados, defeitos obviamente estruturais comuns a todas as raças são tão indesejáveis no Husky Siberiano como em qualquer outra raça, embora eles não são mencionados especificamente aqui.

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