HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

quinta-feira, 31 de março de 2011

Movimento e Andaduras - Generalidades e Considerações

Como já mencionamos anteriormente, o cão é um animal de trabalho e esse trabalho depende de sua capacidade de movimentar-se.


Em cinofilia, entende-se por movimento a locomoção, também chamada de andadura. O cão possui quatro formas básicas de locomoção: o passo, a marcha, o trote e o galope que serão mais adiante examinados.


Normalmente, em pista, os cães são apresentados em trote e às vezes a passo. É importante relembrar que as diferentes raças possuem diferentes movimentos que lhe são próprios e mesmo mais adequados, conforme sua conformação (biótipo). Nesse sentido é sempre interessante observar as dimensões do recinto, o piso, etc permitem a este ou aquele cão apresentações convenientes. Cabe lembrar que, independentemente de espaço, raças pequenas mudam mais rapidamente o tipo de andadura do que raças grandes.

Para julgamento pede-se basicamente dois tipos de movimento. Primeiramento é exigido um movimento de ida e volta, em linha reta. Neste movimento observa-se a manutenção dos aprumos (cotovelos, jarretes, etc), bem como tendências a andar de lado (“crabbing” ou “passo de carangueijo”). Em seguida pede-se o movimento em círculo. Neste movimento observa-se o comportamento da linha superior, a forma de levar (porte) a cabeça e a cauda. Observa-se ainda o alcance de solo, isto é, a facilidade de progressão do animal, isto é, o seu rendimento sem esforço.


No círculo pode-se ainda verificar a forma como o cão coloca os pés nos apoios, sendo considerado como falta o chamado “sobre passo”. No sobre passo o posterior apóia-se adiate do ponto de apoio usado pelo anterior do mesmo lado. É considerado defeito porque pode interferir na progressão normal e, geralmente, indica falta de balanceamento.


Este termo, balanceamento, significa harmonia entre a conformação dos posteriores e anteriores. De modo geral está ligado as angulações, considerando normais as proporções de altura e comprimento. Obviamente, o critério de avaliação do balanceamento varia de raça para raça.


Frequentemente, por ingenuidade ou por malícia ou, ainda, por dissimulação, o apresentador (handler) pode manter a cabeça do animal em posição inadequada para a movimentação própria da raça. Em caso de dúvida, solicita-se movimentar o cão com guia solta.


Lembre-se que ao parar, o animal às vezes, busca um apoio melhor. Nestes casos frequentemente abre os pés (anteriores, posteriores ou ambos). Em caso de dúvida, peça ao apresentador um passo ou dois à frente, dando ao cão a oportunidade de acertar (ou não) os aprumos.


A avaliação do cão em movimento é imprescindível e deve ser feita com o máximo cuidado pois, é neste momento, que todo seu potencial é mostrado, bem como, faltas ou defeitos que possam eventualmente estar minimizados pelo apresentador ao arrumar o cão em “stay”. A descrição que fazemos a seguir das diferentes andaduras do cão, foi transcritas do texto de David M Numamaker e Peter D. Blauner, incluso no no capítulo “Normal and Abnormal Gait” do livro clássico de ortopedia canina. Eventuais anotações estarão colocadas entre parênteses.


“Andaduras normais no cão: comumente usam formas de locomoção que podem ser divididas em dois grupos principais: as andaduras simétricas e as assimétricas. Nas andaduras simétricas como o passo, a marcha e o trote, os movimentos dos membros de um lado repetem os movimentos do lado oposto sendo os intervalos igualmente espaçados. Nas andaduras assimétricas como o galope, os movimentos de um lado não repetem os do outro e os intervalos entre os apoios não são espaçados por igual. Quando falamos de andaduras, um conjunto completo de passos é chamado de ciclo.”


Passo: o passo é um movimento simétrico em que o apoio é mantido pelo animal com os dois membros do mesmo lado paralelamente. O animal se move impulsionando o anterior e o posterior do mesmo lado enquanto distribui o peso no outro lado. É uma andadura comumente usada por cães de pernas longas e corpo compacto e permite o animal caminhar em linha reta para a frente, sem interferência entre os posteriores como pode acontecer no trote. A oscilação lateral do corpo condicionada pelo passo, parece ser melhor trabalhada por cães de pernas longas. O passo também é visto em cães cansados, fora de condições ou com problemas ortopédicos.


Marcha(1): a marcha tem sido descrita como a forma de locomoção menos cansativa e mais eficiente para o cão. Na marcha o cão nunca tem menos do que dois pés sobre o solo usualmente três e ocasionalmente os quatro (o movimento dos membros é em diagonal, isto é, anterior de um lado e posterior do outro, na mesma direção e, em seguida, ocorre o inverso). Na marcha o impulso para a frente é mantido pelos posteriores enquanto o peso do corpo é mantido principalmente pelos anteriores. Os anteriores também são usados para diminuir a velocidade e absorver choques. O tempo de contato do pé com o solo está em função do comprimento das pernas, ou seja, é maior nos cães de pernas longas e menor nos de pernas curtas. Há uma predileção nos cães de peerna curta por tipos de marcha que tem intervalo relativamente maior entre o apoio do posterior e o apoio do anterior do mesmo lado. Por essa razão não é usual ver cães pequenos em passo, ao contrário, uma configuração de trote parece ser a regra. Em cães de pernas longas a marcha assemelha-se ao passo. Há uma grande variação de forma segundo o tamanho e até mesmo variações individuais. Em geral, os cães pequenos apresentam as maiores variações.


Movimentos para baixo do pescoço e da cabeça estão associados ao impacto de cada um dos anteriores ao início de cada fase e, movimentos para cima, estão associados com a volta de cada membro. Portanto o pescoço e cabeça mostram dois picos em cada ciclo. (1) Há a chamada “Marcha Lenta” isto é, três pés permanecem no solo, enquanto o outro alcança ou propulciona. O alcance é feito pelo anterior correspondente ao posterior que propulsionou. É uma andadura lateral, de transição entre o passo e as andaduras mais rápidas e não deve ser confundida com a Marcha.

Trote: o trote é uma andadura simétrica que ocorre quando os pares de pernas, em diagonal, se movem simultaneamente e a duração de contato com o solo é ligeiramente maior nos posteriores. No trote, usualmente dois pés estão sempre no solo. Alguns cães, entretanto, tem fases de suspensão (sem nenhum apoio no solo), o que é chamado de trote voador (trote típico do pastor alemão). Cães de pernas longas e corpo curto tem dificuladade de trotar, pois os posteriores podem interferir com anteriores. Caranguejar (crabbing – andar de lado) é uma forma de evitar essa interferência, girando o corpo para que o posterior passe ao lado do anterior, assim o cão anda simultaneamente para a frente e para o lado (este movimento também pode aparecer em cães longos ou com defeitos de coluna – linha superior – quando o impulso dos posteriores não alcançava por igual os anteriores).


A diferença entre o trote e a marcha envolve o aumento do movimento vertical do corpo, especialmente cabeça e pescoço, bem como aumento dos movimentos das articulações, principalmente ombro, cotovelo, carpo, joelho e tarso. Ao contrário da marcha, a flexão do joelho pode ocorrer na fase intermediária do passo (em resumo tudo é mais rápido do que na marcha) Pescoço e cabeça tem dois picos.


Galope: o galope é uma andadura assimétrica usada para locomoção em alta velocidade. Existem dois tipos básicos de galope no cão: o galope transversal, semelhante ao do cavalo e o galope rotatório, que parece ser o preferido pelos cães.


O cão pode manter o galope em duas velocidades, o galope “lento” (leve) , conhecido como “canter” (2) que representa uma andadura que pode ser facilmente mantida por um longo tempo e, galope rápido que pode ser mantido por curtos períodos de tempo. No galope a fase de apoio diminui e a duração do impulso aumenta em comparação com a marcha ou o trote. Períodos de suspensão ocorrem após a retirada do anterior (que marca o ciclo) do solo.


(2) Canter: Constitui uma modalidade similar a um galope combinado com o trote, é conhecido, também, por “Lope”. Processa-se da seguinte maneira: uma propulsão, seguida de outra propulsão e alcance cruzados, e um alcance... Andadura característica de Huskies em trabalho sendo considerado o movimento de velocidade média do siberiano. É entre esta andadura e o trote, andadura anterior, que o siberiano realiza seu “single tracking”(rastros simples), não confundir com o “parallel tracking” ou “doble tracking”. É uma andadura rápida intermediária entre o trote e o galope, de suspensão simples.


Alguns animais selecionados pela velocidade, como o Greyhound podem mostrar duas fases de suspensão em cada ciclo, a primeira ocorre após a retirada dos posteriores do solo, em um arremesso (coluna extendida) e a segunda após a retirada do anterior do solo (coluna flexionada).


A cabeça e o pescoço, no galope, tem apenas um pico. O maior movimento da cabeça para baixo é acompanhado pelo alcance maior dos anteriores para a frente . O movimento da cabeça para cima corresponde ao arqueamento da coluna e ao movimento dos posteriores para baixo do corpo preparando a colocação dos pés.


Efeitos da Conformação e Locomoção:


No reino animal o cão doméstico apresenta a maior variedade de tamanho e forma vistos em uma mesma espécie. Diferenças de magnitude de massa existem entre um Mastiff e um Chihuahua. Grandes diferenças de conformação anatômicas podem ser vistas quando comparados um Dachshund e um Borzói. Certamente essas diferenças influenciam significativamente certos parâmetros da locomoção. Assim é difícil caracterizar a locomoção normal do cão, mesmo porque a comparação entre diferentes raças mostra que o movimento “normal” de uma não é pertinente a outra.


Em repouso o animal apóia-se igualmente nos quatro membros. Quando o animal ganha velocidade ele tem menos apoio. Assim, os membros movem-se em direção ao centro de gravidade que fica para a frente do animal. O tipo de movimento denominado “single tracking” é então usado para evitar ou diminuir as oscilações laterais do corpo e garantir suporte contínuo do centro de gravidade. O grau de convergência dos membros em direção a uma linha central sob o plano mediano do corpo, depende da velocidade e da conformação do animal. Animais longos e de centro de gravidade baixo, como o Basset Hound, não fazem “single track”. Cães como esse normalmente movem-se com um pronunciado “roll” lateral que é considerado defeito em outros cães com membros longos.


A conformação ideal entre anteriores e posteriores (balanceamento) oferece normas gerais de avaliação de desvios (defeitos). Por exemplo, um ângulo maior do que 45° para a escápula diminui a extenção do anterior enquanto que, um ângulo menor reduz a eficiência do movimento. No posterior, ângulos menores da pelve afetam o movimento dos membros e, maiores reduzem o efeito propulsor por diminuírem a efetividade do arco espinhal (maiores ou menores em função do ângulo ideal desejado para a raça).


Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone Dog Standards Illustred -1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc. Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow Dogsteps – A New Look – 3ª Edition Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cauda

A cauda corresponde à porção final da coluna vertebral. É formada pelas vértebras caudais e coccigeas. O número de vértebras caudais é muito variável conforme a raça. Anatomicamente considera-se em média de 20 a 23. O comprimento e o diâmetro de cada uma dessas vértebras diminui da raiz para a extremidade. Igualmente sua estrutura vai se tornando mais simples. Nos cães de cauda naturalmente curta é comum as primeiras vértebras caudais se atrofiarem, dando à cauda um aspecto retorcido (Boston Terrier por exemplo).

Quanto a posição assumida pela raiz da cauda, falamos de inserção alta ou baixa. O porte da cauda diz respeito a maneira como ela é levada, principalmente na movimentação e está sempre relacionado a horizontal (coluna vertebral) podendo ser acima, abaixo ou ao mesmo nível.

As diferentes formas, reta, enroscada, grossa, afilada e assim por diante, bem como as características de pelagem que as reveste são características raciais descritas no padrão. Assim, também, as caudas amputadas cuja exigência e, mesmo, tamanho fazem parte do padrão. Esta amputação está relacionada a raças que normalmente apresentam caudas muito longas e volumosas que interferem na dinâmica desejada. A impossibilidade de alterar esses aspectos pela relação levou a necessidade de amputá-las.

Conclui-se, portanto, que as funções da cauda estão particularmente relacionadas à dinâmica de cada raça. Podem ajudar a manter o equilíbrio funcionando como um leme nas mudanças de direção. Ajudam a repor o centro de gravidade em posição seja nos movimentos laterais, seja na interrupção súbita da marcha. Podem, ainda, servir como auxiliar no momento do animal levantar-se.

A cauda por fim, também está muito relacionada ao temperamento ou, pelo menos, ao estado emocional do cão. Conforme a posição assumida revelam alegria ou disposição, timidez ou covardia e, até agressividade. Sob este aspecto, deve-se estar atento antes de opinar de forma definitiva sobre um porte incorreto. Estados de intensa alegria ou tensão (pré-agressividade) tendem a levantar a cauda acima dos níveis normalmente desejados em alguns padrões raciais.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow
Dog steps – A New Look – 3ª Edition
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos Reservados

quinta-feira, 24 de março de 2011

Membros Posteriores

A principal função dos membros posteriores é gerar a força de propulsão que resulta no movimento do animal. Os ossos que formam o esqueleto do membro posterior ou traseiro são: coxal (também chamado de pélvico), fêmur, patela, tíbia e fíbula, tarso, metatarso e falanges, isso, em linhas gerais. O coxal é na realidade formado por três ossos: o ílio, que é o maior deles, o ísquio, que é o mais caudal e forma a ponta da nádega e o púbis, na região mediana. Esses ossos fundem-se formando um conjunto único. No ponto de fusão forma-se uma cavidade na qual se articula a cabeça do fêmur que é chamado de acetábulo. Essa articulação é conhecida como articulação coxo-femural ou da cadeira. O coxal, de um lado, une-se ao do outro pela bordas internas do púbis – sínfise pubiana – esta articulação é feita por cartilagem e, nas fêmeas, “abre-se” no período final da gestação o que pode causar alterações no movimento. O conjunto dos coxais forma a bacia óssea que associada ao sacro constitui a base da região da garupa. O sacro, na realidade é formado pelas vértebras sacrais que no cão são em número de três que se fundem completamente formando uma única peça.

O coxal, portanto, articula-se com o sacro (articulação sacro-iliaca), e dessa forma a força oriunda dos membros porteriores (propulsão) passa diretamente para a coluna vertebral e daí para os anteriores. Em função disso, o ângulo que o coxal forma com a coluna é muito importante pois alterações do mesmo (conforme a raça) podem prejudicar a transmissão da força propulsora. Esse ângulo é medido por meio de uma linha que acompanha o eixo maior do coxal, a partir da ponta da nádega e outra horizontal correspondente a coluna. Anatomicamente é considerado como ideal um ângulo de 30°. Esse ângulo permite ainda que uma linha perpendicular ao solo, tangente à ponta da nádega passe, se os outros ângulos estiverem corretos, pelo raio ósseo determinado pelos ossos do tarso e metatarso – jarrete que também deve ser perpendicular ao solo. Sendo assim o peso do membro recai sobre a almofada plantar, garantido o equilíbrio estático e facilitando o trabalho muscular. Como se pode deduzir essa linha marca, portanto, o aprumo do membro posterior. Em um animal bem aprumado, os posteriores vistos de trás devem ser paralelos entre si e acompanhar os anteriores. Como o ângulo formado pelo coxal com a coluna marca a posição da garupa é óbvio que alterações do mesmo levarão a defeitos de garupa ou a particularidades de uma ou outra raça. Assim, ângulos menores do que 30° levam a garupa plana e, maiores a garupa caída modificando a terminação da linha superior do animal. Ainda mais, dadas as relações da garupa com a raiz da cauda, pois ao sacro seguem-se as vértebras caudais, alterações da garupa consequentemente altera a posição da cauda. Grupas planas condicionam caudas de inserção alta e levadas acima da linha horizontal. Garupas caídas levam a cauda de inserção baixa e, em geral, levadas abaixo da linha horizontal. Além disso, enquanto defeito e não característica racial, alteram os outros ângulos articulares do membro, levando a defeitos de aprumos, tais como joelhos para fora e jarrete de vaca (garupa caída), joelhos “retos” e falta de paralelismo (garupa plana)e etc. Em conseqüência, também alteram o rendimento do trabalho muscular. Cães de coluna normalmente convexa (Whippet) não tem garupa caída, a ilusão é dada pela posição da coluna, mas se esta for retificada os ângulos desejados serão vistos. Podem, por outro lado, ter garupa caída e, neste caso, o sinal mais evidente, nestes cães, é a expulsão dos joelhos durante o movimento. Outros defeitos de garupa depende das dimensões ósseas que são as garupas estreitas ou muito largas. Em ambos os casos, o movimento é prejudicado pela alteração do posicionamento correto dos posteriores, Mais raras são as garupas curtas e muito longas, decorrentes das modificações do comprimento do coxal. Neste caso o movimento é prejudicado pela alteração do rendimento dos músculos que, partindo desse osso, alcançam o fêmur. Esses músculos, chamados genéricamente de íleo – femurais e ísquio – femurais são importantes colaboradores dos movimentos do membro posterior. Em seqüência encontramos o fêmur, que é um osso da região da coxa. Como já dissemos o fêmur articula-se com o coxal formando a articulação da cadeira ou coxo-femural. Idealmente esta articulação deve formar um ângulo de 90°, o que facilita a ação dos músculos coxo femurais que já comentamos. Na outra extremidade o fêmur articula-se com a tíbia. A tíbia e a fíbula são os ossos da perna. A articulação do fêmur e tíbia forma o joelho. Nesta articulação participa ainda um outro osso, pequeno e arredondado que é a patela (ou rótula) . A patela além de dar inserção a forte musculatura da região anterior da coxa, também limita o movimento da tíbia para a frente, na extenção da articulação do joelho. O ângulo ideal desta articulação também é igual a 90°. Esse ângulo favorece muito a ação do músculo gastrocnêmio; este músculo corresponde a nossa “barriga da perna”, origina-se no fêmur e se insere no calcâneo, um dos ossos do tarso, isto é, o que forma a ponta do jarrete. Essa disposição faz desse músculo o principal responsável pela flexão do joelho e retira o membro do solo pelo levantamento do tarso. Assim sendo, é de primordial importância no movimento do membro posterior.


A região do tarso, portanto, merece especial atenção porque, juntamente com o metatarso constitui o que se chama de jarrete. A importância do jarrete, claro, está relacionada ao trabalho do músculo gastrocnemio. Em princípio o jarrete deve ser perpendicular ao solo. Sua altura e, particularmente, o comprimento do metatarso estão na dependência da raça ou do tipo do cão e devm ser proporcionais ao conjunto carpo – metacarpo. Um jarrete excessivamente alto encurta o músculo gastrocnemio e altera o seu ângulo de inserção. Atenção: normalmente, no jarrete alto todo o conjunto é longo pois neste caso a movimentação é rápida mas pouco produtiva. O animal anda com os posteriores saltitando. Quando o jarrete é muito baixo o músculo torna-se mais longo e acompanha aproximadamente o raio ósseo. A movimentação é lenta e pouco produtiva, isto é “arrastada”. Outro problema sério são os chamados “jarretes de vaca”. Neste caso os jarretes estão fora de aprumo, sua pontas se aproximam e os pés em consequência voltam-se para fora. Na contração muscular ao invés do membro ser dirigido totalmente para a frente, ele devia-se para o lado e, portanto, o movimento é pouco produtivo. Quase sempre os jarretes de vaca são decorrência de garupa ou má angulações de joelho. Aliás joelhos mal angulados produzem resultados na movimentação semelhantes ao apresentados por jarretes na altura inadequada. De fato, alterando o comprimento e a posição do músculo gastrocnemio, os joelhos muito angulados tem efeito semelhante ao jarrete alto e ao contrário, os poucos angulados (joelho reto ou inaparente) ao jarrete muito baixo. A estrutura dos pés é semelhante ao dos anteriores. Sua forma é descrita nos padrões. Quando não forem apontados diferenças a forma dos pés é semelhante nos anteriores e posteriores. Considerando em conjunto, o membro posterior, a maneira dos anteriores, funciona como um pêndulo. Como já foi comentado esse movimento resulta na economia de trabalho muscular. Para que haja equilíbrio na ação dos músculos flexores e extensores e, para que o impulso, no contato com o solo, seja rapidamente transmitido se exige bons aprumos e angulações corretas. No membro posterior o eixo de oscilação desse pendulo ideal corresponde a articulação coxo-femural pois, cabe lembrar, a articulação sacro-ilíaca é praticamente fixa, servindo mais como ponto de trasmissão da força propulsora para a coluna vertebral.


Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone Dog Standards Illustred -1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc. Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow Dogsteps – A New Look – 3ª Edition Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Linha superior ou linha inferior

A linha inferior é dada pelas linhas inferiores do tórax (esterno) e do abdômem (ventre). Em algumas raças essas linhas seguem sem um ponto nítido de transição. Em outras , a linha inferior apresenta uma ligeira concavidade após o esterno. Em algumas raças essa concavidade é muito acentuada, como no caso dos galgos. Em qualquer destes casos a transição da linha do esterno para a do ventre deve ser plástica e harmoniosa, isto é, sem quebra brusca que dê solução de continuidade é linha inferior. Cadelas que já tenham parido podem apresentar a linha inferior alterada pelo desenvolvimento das mamas (a reversão nunca é total). Dentro dos limites, este fato não deve influenciar no julgamento.

A linha superior é determinada pelas porções torácicas e lombar da coluna vertebral. A rigor a garupa também deveria ser incluída mas normalmente é descrita com os membros posteriores. Em termos de estécica sua função é sustentar o peso do corpo e dos órgãos contidos nas cavidades torácicas e abdominal. O conjunto da coluna, mais as costelas, o esterno e os músculos abdominais, é construído de tal maneira que as forças de pressão e tensão se anulam, como na fuselagem de um avião. Esse tipo de construção permite que o papel de sustentação seja exercido com o mínimo de desgaste energético.

Do ponto de vista dinâmico, a coluna vertebral funciona como eixo de condução de impulsos dados pelos membros posteriores para o conjunto dos anteriores, dessa mmaneira quanto melhor a sua conformação mais facilmente é levada a força de propulsão e tanto mais rendoso e econômico será o movimento. É claro que nada adianta a coluna ser correta se os anteriores forem, por exemplo mal angulados ou deslocados pois, neste caso não poderão dar a resposta desejada ao impulso transmitido.

Em geral a linha superior é retilínea, com freqüência mostra-se descendente desde a cernelha até a garupa. As vezes essa linha descendente é bem acentuada, como acontece em alguns cães de caça e um bom exemplo é o Cocker Spaniel Americano, essa descida acentuada (sporting back) deve-se a posteriores acentuadamente angulados e permitem ao animal iniciar o movimento com grande impulso. Durante a movimentação, entretanto, ela deve manter-se na horizontal. Excepcionalmente a linha superior deve ser ascendente da cernelha para a garupa como o fila brasileiro.
Como defeito, a linha superior pode mostrar-se curva, convexa ou côncava. No caso de convexidade da linha superior, falamos em dorso carpado ou de camelo. A linha superior côncava leva ao que se chama de dorso selado. Em ambos os casos a transmissão da força propulsora é prejudicada perdendo impacto até alcançar os anteriores, nestes casos, o animal anda de lado (caranguejar). Em termos de ilustração, o animal anda mais depressa atrás do que na frente. Isso também acontece em cães anormalmente longos. Devemos lembrar que esse alongamento se faz quase sempre na região lombar (flanco longo). Isso acontece como já vimos, as vértebras lombares não possuem apoio (os torácicos tem as costelas como suporte e, as sacras que se seguem são apoiadas pela bacia).

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segunda-feira, 21 de março de 2011

O Abdômem

O segundo segmento do tronco do animal é chamado de abdômem e fica compreendido entre o tórax e os posteriores. É delimitado na parte superior pela porção lombar da coluna vertebral, constituída por sete vértebras. Também aqui, a região lombar mais longa ou mais curta, depende do tamanho das vértebras e da coesão dos ligamentos e não do número. As paredes laterais do abdômem são genéticamente chamados de flancos.

A região lombar, em termos de coluna vertebral, é o segmento que permite ao animal movimentos rápidos de lateralidade, para mudança de direção. Assim sendo, animais de velocidade ou que necessitam desse tipo de mudança rápida como os pastores em geral, devem ter essa região longa e, consequentemente o flanco será mais longo ou aberto. Por outro lado, a região lombar curta garante maior firmeza e estabilidade sendo, por isso, característica dos animais de força que, então, apresentam flancos curtos ou fechados.

As denominações “aberto” e “fechado” decorrem da presença de uma ligeira concavidade (vazio do flanco), característica da porção superior das paredes abdominais. A linha inferior do abdômem é chamada de ventre.

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Regiões da coluna vertebral - Esquema

Fonte: Siberians Huskies - The Family Album
Top Producer by Debbie Meador
Another Denlinger Book - Ed 1985
Adaptação, Desenhos e Edição: Leandro Jorge
Direitos Reservados

domingo, 20 de março de 2011

Tórax

Ao tórax corresponde a porção torácica (ou dorsal) da coluna vertebral, formada por 13 vértebras as quais se articulam treze pares de costelas que por sua vez unem-se a porção inferior a um conjunto osteocartilagineo chamado esterno.

Em síntese, a forma final da caixa torácica é dada pelas costelas cuja curvatura deverá ser adequada a cada raça. A falta de uma curvatura correta (costelas chatas) levará a um tórax estreito e seu excesso (costelas em barril) a um tórax largo ou arredondado (tórax em barril). As conseqüências mais séries estão relacionadas ao apoio oferecido aos ombros e já foram comentados. Não podemos esquecer a eventualidade do tórax ser bem formado mas pequeno para o animal, os resultados serão semelhantes ao de um tórax estreito, além da falta de antepeito. Lembro que as costelas não atingem diretamente o esterno, a união é feita por cartilagens (cartilagens costais), assim, pode acontecer das costelas terem boa curvatura mas a cartilagem ser reta e descer verticalmente para o esterno... é o chamado tórax em quilha e, em conseqüência, falta apoio ao cotovelo. O esterno é formado por um conjunto de 8 peças ósseas (esternébras) unidas por cartilagem. Na porção posterior apresenta um prolongamento cartilagineo chamado de apófise xifóide e, na porção anterior, outro prolongamento conhecido como apófise cariniforme ou carena. A carena tende a ser mais pronunciada nos cães de velocidade e mais curtas e largas nos de força. Nos patas curtas, como por exemplo nos dachshunds, ela também é pronunciada. Nestes últimos a função da carena bem desenvolvida é compensar o encurtamento dos membros, garantido o melhor equilíbrio do animal. O esterno também fornece superfície de inserção para os músculos peitorais, especialmente os peitorais anteriores que formam o antepeito.

Naturalmente, o aspecto final do tórax será dado pela musculatura que recobre e que deverá ser bem desenvolvida e de acordo com a estrutura óssea que a sustenta.

Além da largura do tórax e da forma adequada de curvatura das costelas (vê-se de frente e por cima), devemos também considerar a sua profundidade, isto nada mais é do que a altura do tórax, tomada ao nível da 5ª ou 6ª costela, logo atrás da articulação do cotovelo, por uma linha perpendicular ao eixo horizontal entre os pontos mais alto e mais baixo, se necessário é também a esse nível que se mede o perímetro (circunferência) do tórax.


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