HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

quinta-feira, 24 de março de 2011

Membros Posteriores

A principal função dos membros posteriores é gerar a força de propulsão que resulta no movimento do animal. Os ossos que formam o esqueleto do membro posterior ou traseiro são: coxal (também chamado de pélvico), fêmur, patela, tíbia e fíbula, tarso, metatarso e falanges, isso, em linhas gerais. O coxal é na realidade formado por três ossos: o ílio, que é o maior deles, o ísquio, que é o mais caudal e forma a ponta da nádega e o púbis, na região mediana. Esses ossos fundem-se formando um conjunto único. No ponto de fusão forma-se uma cavidade na qual se articula a cabeça do fêmur que é chamado de acetábulo. Essa articulação é conhecida como articulação coxo-femural ou da cadeira. O coxal, de um lado, une-se ao do outro pela bordas internas do púbis – sínfise pubiana – esta articulação é feita por cartilagem e, nas fêmeas, “abre-se” no período final da gestação o que pode causar alterações no movimento. O conjunto dos coxais forma a bacia óssea que associada ao sacro constitui a base da região da garupa. O sacro, na realidade é formado pelas vértebras sacrais que no cão são em número de três que se fundem completamente formando uma única peça.

O coxal, portanto, articula-se com o sacro (articulação sacro-iliaca), e dessa forma a força oriunda dos membros porteriores (propulsão) passa diretamente para a coluna vertebral e daí para os anteriores. Em função disso, o ângulo que o coxal forma com a coluna é muito importante pois alterações do mesmo (conforme a raça) podem prejudicar a transmissão da força propulsora. Esse ângulo é medido por meio de uma linha que acompanha o eixo maior do coxal, a partir da ponta da nádega e outra horizontal correspondente a coluna. Anatomicamente é considerado como ideal um ângulo de 30°. Esse ângulo permite ainda que uma linha perpendicular ao solo, tangente à ponta da nádega passe, se os outros ângulos estiverem corretos, pelo raio ósseo determinado pelos ossos do tarso e metatarso – jarrete que também deve ser perpendicular ao solo. Sendo assim o peso do membro recai sobre a almofada plantar, garantido o equilíbrio estático e facilitando o trabalho muscular. Como se pode deduzir essa linha marca, portanto, o aprumo do membro posterior. Em um animal bem aprumado, os posteriores vistos de trás devem ser paralelos entre si e acompanhar os anteriores. Como o ângulo formado pelo coxal com a coluna marca a posição da garupa é óbvio que alterações do mesmo levarão a defeitos de garupa ou a particularidades de uma ou outra raça. Assim, ângulos menores do que 30° levam a garupa plana e, maiores a garupa caída modificando a terminação da linha superior do animal. Ainda mais, dadas as relações da garupa com a raiz da cauda, pois ao sacro seguem-se as vértebras caudais, alterações da garupa consequentemente altera a posição da cauda. Grupas planas condicionam caudas de inserção alta e levadas acima da linha horizontal. Garupas caídas levam a cauda de inserção baixa e, em geral, levadas abaixo da linha horizontal. Além disso, enquanto defeito e não característica racial, alteram os outros ângulos articulares do membro, levando a defeitos de aprumos, tais como joelhos para fora e jarrete de vaca (garupa caída), joelhos “retos” e falta de paralelismo (garupa plana)e etc. Em conseqüência, também alteram o rendimento do trabalho muscular. Cães de coluna normalmente convexa (Whippet) não tem garupa caída, a ilusão é dada pela posição da coluna, mas se esta for retificada os ângulos desejados serão vistos. Podem, por outro lado, ter garupa caída e, neste caso, o sinal mais evidente, nestes cães, é a expulsão dos joelhos durante o movimento. Outros defeitos de garupa depende das dimensões ósseas que são as garupas estreitas ou muito largas. Em ambos os casos, o movimento é prejudicado pela alteração do posicionamento correto dos posteriores, Mais raras são as garupas curtas e muito longas, decorrentes das modificações do comprimento do coxal. Neste caso o movimento é prejudicado pela alteração do rendimento dos músculos que, partindo desse osso, alcançam o fêmur. Esses músculos, chamados genéricamente de íleo – femurais e ísquio – femurais são importantes colaboradores dos movimentos do membro posterior. Em seqüência encontramos o fêmur, que é um osso da região da coxa. Como já dissemos o fêmur articula-se com o coxal formando a articulação da cadeira ou coxo-femural. Idealmente esta articulação deve formar um ângulo de 90°, o que facilita a ação dos músculos coxo femurais que já comentamos. Na outra extremidade o fêmur articula-se com a tíbia. A tíbia e a fíbula são os ossos da perna. A articulação do fêmur e tíbia forma o joelho. Nesta articulação participa ainda um outro osso, pequeno e arredondado que é a patela (ou rótula) . A patela além de dar inserção a forte musculatura da região anterior da coxa, também limita o movimento da tíbia para a frente, na extenção da articulação do joelho. O ângulo ideal desta articulação também é igual a 90°. Esse ângulo favorece muito a ação do músculo gastrocnêmio; este músculo corresponde a nossa “barriga da perna”, origina-se no fêmur e se insere no calcâneo, um dos ossos do tarso, isto é, o que forma a ponta do jarrete. Essa disposição faz desse músculo o principal responsável pela flexão do joelho e retira o membro do solo pelo levantamento do tarso. Assim sendo, é de primordial importância no movimento do membro posterior.


A região do tarso, portanto, merece especial atenção porque, juntamente com o metatarso constitui o que se chama de jarrete. A importância do jarrete, claro, está relacionada ao trabalho do músculo gastrocnemio. Em princípio o jarrete deve ser perpendicular ao solo. Sua altura e, particularmente, o comprimento do metatarso estão na dependência da raça ou do tipo do cão e devm ser proporcionais ao conjunto carpo – metacarpo. Um jarrete excessivamente alto encurta o músculo gastrocnemio e altera o seu ângulo de inserção. Atenção: normalmente, no jarrete alto todo o conjunto é longo pois neste caso a movimentação é rápida mas pouco produtiva. O animal anda com os posteriores saltitando. Quando o jarrete é muito baixo o músculo torna-se mais longo e acompanha aproximadamente o raio ósseo. A movimentação é lenta e pouco produtiva, isto é “arrastada”. Outro problema sério são os chamados “jarretes de vaca”. Neste caso os jarretes estão fora de aprumo, sua pontas se aproximam e os pés em consequência voltam-se para fora. Na contração muscular ao invés do membro ser dirigido totalmente para a frente, ele devia-se para o lado e, portanto, o movimento é pouco produtivo. Quase sempre os jarretes de vaca são decorrência de garupa ou má angulações de joelho. Aliás joelhos mal angulados produzem resultados na movimentação semelhantes ao apresentados por jarretes na altura inadequada. De fato, alterando o comprimento e a posição do músculo gastrocnemio, os joelhos muito angulados tem efeito semelhante ao jarrete alto e ao contrário, os poucos angulados (joelho reto ou inaparente) ao jarrete muito baixo. A estrutura dos pés é semelhante ao dos anteriores. Sua forma é descrita nos padrões. Quando não forem apontados diferenças a forma dos pés é semelhante nos anteriores e posteriores. Considerando em conjunto, o membro posterior, a maneira dos anteriores, funciona como um pêndulo. Como já foi comentado esse movimento resulta na economia de trabalho muscular. Para que haja equilíbrio na ação dos músculos flexores e extensores e, para que o impulso, no contato com o solo, seja rapidamente transmitido se exige bons aprumos e angulações corretas. No membro posterior o eixo de oscilação desse pendulo ideal corresponde a articulação coxo-femural pois, cabe lembrar, a articulação sacro-ilíaca é praticamente fixa, servindo mais como ponto de trasmissão da força propulsora para a coluna vertebral.


Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone Dog Standards Illustred -1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc. Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow Dogsteps – A New Look – 3ª Edition Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Linha superior ou linha inferior

A linha inferior é dada pelas linhas inferiores do tórax (esterno) e do abdômem (ventre). Em algumas raças essas linhas seguem sem um ponto nítido de transição. Em outras , a linha inferior apresenta uma ligeira concavidade após o esterno. Em algumas raças essa concavidade é muito acentuada, como no caso dos galgos. Em qualquer destes casos a transição da linha do esterno para a do ventre deve ser plástica e harmoniosa, isto é, sem quebra brusca que dê solução de continuidade é linha inferior. Cadelas que já tenham parido podem apresentar a linha inferior alterada pelo desenvolvimento das mamas (a reversão nunca é total). Dentro dos limites, este fato não deve influenciar no julgamento.

A linha superior é determinada pelas porções torácicas e lombar da coluna vertebral. A rigor a garupa também deveria ser incluída mas normalmente é descrita com os membros posteriores. Em termos de estécica sua função é sustentar o peso do corpo e dos órgãos contidos nas cavidades torácicas e abdominal. O conjunto da coluna, mais as costelas, o esterno e os músculos abdominais, é construído de tal maneira que as forças de pressão e tensão se anulam, como na fuselagem de um avião. Esse tipo de construção permite que o papel de sustentação seja exercido com o mínimo de desgaste energético.

Do ponto de vista dinâmico, a coluna vertebral funciona como eixo de condução de impulsos dados pelos membros posteriores para o conjunto dos anteriores, dessa mmaneira quanto melhor a sua conformação mais facilmente é levada a força de propulsão e tanto mais rendoso e econômico será o movimento. É claro que nada adianta a coluna ser correta se os anteriores forem, por exemplo mal angulados ou deslocados pois, neste caso não poderão dar a resposta desejada ao impulso transmitido.

Em geral a linha superior é retilínea, com freqüência mostra-se descendente desde a cernelha até a garupa. As vezes essa linha descendente é bem acentuada, como acontece em alguns cães de caça e um bom exemplo é o Cocker Spaniel Americano, essa descida acentuada (sporting back) deve-se a posteriores acentuadamente angulados e permitem ao animal iniciar o movimento com grande impulso. Durante a movimentação, entretanto, ela deve manter-se na horizontal. Excepcionalmente a linha superior deve ser ascendente da cernelha para a garupa como o fila brasileiro.
Como defeito, a linha superior pode mostrar-se curva, convexa ou côncava. No caso de convexidade da linha superior, falamos em dorso carpado ou de camelo. A linha superior côncava leva ao que se chama de dorso selado. Em ambos os casos a transmissão da força propulsora é prejudicada perdendo impacto até alcançar os anteriores, nestes casos, o animal anda de lado (caranguejar). Em termos de ilustração, o animal anda mais depressa atrás do que na frente. Isso também acontece em cães anormalmente longos. Devemos lembrar que esse alongamento se faz quase sempre na região lombar (flanco longo). Isso acontece como já vimos, as vértebras lombares não possuem apoio (os torácicos tem as costelas como suporte e, as sacras que se seguem são apoiadas pela bacia).

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow
Dogsteps – A New Look – 3ª Edition
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Abdômem

O segundo segmento do tronco do animal é chamado de abdômem e fica compreendido entre o tórax e os posteriores. É delimitado na parte superior pela porção lombar da coluna vertebral, constituída por sete vértebras. Também aqui, a região lombar mais longa ou mais curta, depende do tamanho das vértebras e da coesão dos ligamentos e não do número. As paredes laterais do abdômem são genéticamente chamados de flancos.

A região lombar, em termos de coluna vertebral, é o segmento que permite ao animal movimentos rápidos de lateralidade, para mudança de direção. Assim sendo, animais de velocidade ou que necessitam desse tipo de mudança rápida como os pastores em geral, devem ter essa região longa e, consequentemente o flanco será mais longo ou aberto. Por outro lado, a região lombar curta garante maior firmeza e estabilidade sendo, por isso, característica dos animais de força que, então, apresentam flancos curtos ou fechados.

As denominações “aberto” e “fechado” decorrem da presença de uma ligeira concavidade (vazio do flanco), característica da porção superior das paredes abdominais. A linha inferior do abdômem é chamada de ventre.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

Regiões da coluna vertebral - Esquema

Fonte: Siberians Huskies - The Family Album
Top Producer by Debbie Meador
Another Denlinger Book - Ed 1985
Adaptação, Desenhos e Edição: Leandro Jorge
Direitos Reservados

domingo, 20 de março de 2011

Tórax

Ao tórax corresponde a porção torácica (ou dorsal) da coluna vertebral, formada por 13 vértebras as quais se articulam treze pares de costelas que por sua vez unem-se a porção inferior a um conjunto osteocartilagineo chamado esterno.

Em síntese, a forma final da caixa torácica é dada pelas costelas cuja curvatura deverá ser adequada a cada raça. A falta de uma curvatura correta (costelas chatas) levará a um tórax estreito e seu excesso (costelas em barril) a um tórax largo ou arredondado (tórax em barril). As conseqüências mais séries estão relacionadas ao apoio oferecido aos ombros e já foram comentados. Não podemos esquecer a eventualidade do tórax ser bem formado mas pequeno para o animal, os resultados serão semelhantes ao de um tórax estreito, além da falta de antepeito. Lembro que as costelas não atingem diretamente o esterno, a união é feita por cartilagens (cartilagens costais), assim, pode acontecer das costelas terem boa curvatura mas a cartilagem ser reta e descer verticalmente para o esterno... é o chamado tórax em quilha e, em conseqüência, falta apoio ao cotovelo. O esterno é formado por um conjunto de 8 peças ósseas (esternébras) unidas por cartilagem. Na porção posterior apresenta um prolongamento cartilagineo chamado de apófise xifóide e, na porção anterior, outro prolongamento conhecido como apófise cariniforme ou carena. A carena tende a ser mais pronunciada nos cães de velocidade e mais curtas e largas nos de força. Nos patas curtas, como por exemplo nos dachshunds, ela também é pronunciada. Nestes últimos a função da carena bem desenvolvida é compensar o encurtamento dos membros, garantido o melhor equilíbrio do animal. O esterno também fornece superfície de inserção para os músculos peitorais, especialmente os peitorais anteriores que formam o antepeito.

Naturalmente, o aspecto final do tórax será dado pela musculatura que recobre e que deverá ser bem desenvolvida e de acordo com a estrutura óssea que a sustenta.

Além da largura do tórax e da forma adequada de curvatura das costelas (vê-se de frente e por cima), devemos também considerar a sua profundidade, isto nada mais é do que a altura do tórax, tomada ao nível da 5ª ou 6ª costela, logo atrás da articulação do cotovelo, por uma linha perpendicular ao eixo horizontal entre os pontos mais alto e mais baixo, se necessário é também a esse nível que se mede o perímetro (circunferência) do tórax.


Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
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sábado, 19 de março de 2011

Pés

Ainda que se tratando de membros anteriores, para os quadrúpedes em geral, prefere-se o termo “pé” ao invés de mão, anatomicamente mais correto. O cão é um digitígrado, isto é, apóia-se os dedos pois cada dedo é formado por três falanges – primeira, segunda e terceira. De modo geral os dois dedos centrais são mais longos. Em última análise, os pés sustentam todo o peso do corpo e ainda absorvem os impactos e transferem os impulsos, daí a importância de serem bem constituídos. Sua forma está na dependência do comprimento das falanges e da coesão maior ou menor dos ligamentos digitais; varia segundo a raça e a função de cada raça. Basicamente encontramos duas formas: pés de gato e pés de lebre. Os pés de gato são arredondados, de ossos curtos e ligamentos bem coesos, o que faz com que os dedos apresentem curvatura acentuada e se mantenham bem próximos entre si (pés fechados). Nos pés de lebre os dedos são mais longos, particularmente os centrais e os ligamentos são mais elásticos, garantindo a flexibilidade, a forma externa é oval. Existem naturalmente formas intermediárias.Igualmente podem ou não ser exigidos pelos entre os dedos; em geral, cães que trabalham em terrenos poucos firmes devem ter pelos entre os dedos (Saluki-areia) e mesmo pés ligeiramente abertos e ovais (Husky, Samoieda – neve) que garantam melhor apoio; ainda, as pregas de pele existentes entre os dedos (membranas interdigitais) devem em certas raças (Terra Nova) serem bem desenvolvidas, facilitando o trabalho na água.

Externamente, em correspondência às extremidades dos dedos encontramos formações fibrosas revestidas por pele modificada, as almofadas ou coxins digitais – em número de quatro – uma para cada dedo. Existe ainda em correspondência a região das primeiras falanges uma almofada única, central, chamada de almofada plantar ou palmar que, nesta concepção, tem a função de minimizar os impactos e garantir melhor aderência ao solo. Recobrindo a terceira falange aparecem as unhas (ou garras). Características de forma e cor das almofadas e das unhas deverão ser consideradas segundo o padrão racial.

Um último comentário. Embora o movimento dos cães dependa mais dos posteriores – Propulsão – em certas circunstâncias o papel principal pode ser dos anteriores – Tração. Isso pode acontecer por características especiais de terreno – ladeiras íngremes, solo lamacento ou arrastando pesos. Também em certas raças, nas quais a frente é muito desenvolvida em detrimento dos posteriores, como é o caso do Bulldog Inglês, os anteriores assumem preponderância na movimentação.



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quinta-feira, 17 de março de 2011

Membros Anteriores

Os membros anteriores possuem duas funções principais entre outras: fornecer apoio ao movimento que nasce dos posteriores (propulsão) e, acompanhando os movimentos de lateralidade do pescoço e cabeça, permitir a mudança de direção. Os ossos principais que formam o esqueleto do membro anterior são: escápula, úmero, rádio e ulna, carpo, metacarpo e falanges. A escápula corresponde a região dos ombros e sua ligação com o tronco é feita exclusivamente por músculos, não existindo articulação óssea (nos animais em geral, não existe a clavícula ou, quando muito, é apenas um resquício). A porção superior da escápula se completa com uma lâmina de cartilagem (coroa da escápula) que em correspondência com as primeiras vértebras torácicas forma a região da cernelha – ponto mais alto do corpo do animal, relacionado à altura que consta nos padrões raciais. Na outra extremidade a escápula articula-se com o úmero que é o osso do braço, formando a articulação do ombro (articulação escapulo-umeral). Na porção média da escápula, acompanhando o seu eixo maior, aparece uma crista óssea chamada de espinha da escápula, que basicamente serve para aumentar a área de inserção muscular e reforçá-la. O ângulo ideal mantido pela escápula em relação à coluna vertebral é de 45 graus; ângulos maiores tendem a verticalizar a escápula levando a cernelha muito proeminente ou, por compensação, a frentes retas devido a abertura da articulação escapulo umeral, ao contrário, ângulos menores tendem a horizontalizar a escápula e, nestes casos, teremos a chamada cernelha plana e aberta pois, as coroas escapulares estarão mais distanciadas em função da curvatura do tórax, sobre o qual os escápulos também podem a levar a defeitos de ombro. Por outro lado esses aspectos podem ser condicionados não por alteração de ângulos articulares mas por um deslocamento total do conjunto. De fato, não existindo articulações ósseas, há predisposição para que o ombro se desloque para a frente ou para trás (mais raro). De qualquer forma ficam alteradas as relações da escápula com o tórax, ainda mais, um ombro deslocado para a frente pode sugerir defeitos de pescoço, principalmente quanto ao seu tamanho e inserção, dando também a impressão de que o cão é longo demais e/ou não tem antepeito bem formado.
A articulação do ombro tem como ângulo ideal o de 90 graus. Considerando o ombro em posição, os ângulos mencionados de 45º e 90º permitem que uma perpendicular ao solo traçada a partir do centro da espinha da escápula caia exatamente no centro da almofada plantar, mantendo-se paralela aos ossos do antebraço, que são o rádio e a ulna (linha vermelha na figura abaixo). Essa disposição é muito importante pois permite ao animal manter-se em pé com o menor esforço possível, dado o equilíbrio de torres entre os músculos extensores e flexores. Na verdade este aspecto constitui o que chamamos de aprumos e a natureza procura mantê-los a qualquer custo, acomodando a escápula e o úmero à largura da caixa torácica ou, inclusive, alterando a forma final de alguns ossos longos, como no caso dos “patas curtas”, para que a perpendicular seja respeitada nos seus pontos extremos – centro da espinha da escápula e almofada plantar.

Visto de lado (famoso “side gait”), podemos notar que os cães de boa velocidade tal disposição permite que a articulação do cotovelo, entre o úmero e o rádio-úlna, seja colocada ao nível da linha inferior do tórax, ou mesmo um pouco abaixo, o que facilita os movimentos amplos necessários ao galope – por isso muito cuidado em falar em cotovelos soltos nos galgos em geral – ao contrário, nos cães baixos, a articulação do cotovelo, pelo encurtamento dos ossos, coloca-se acima da linha inferior do tórax e os movimentos são mais firmes porém de menor amplitude.
Considerando o movimento do membro como um todo, tais angulações e aprumos também resultam em economia de energia; de fato, neste caso, o membro funciona como um pendulo cujo centro ideal é o centro da espinha da escápula. Na realidade a escápula sofre apenas ligeira rotação, cabendo o efeito à abertura ou ao fechamento da articulação escapulo umeral; lembrando a relação do paralelismo entre a linha ideal e os ossos do antebraço vemos que toda a força de contato com o solo passa rapidamente para a raiz do membro. Além disso, se traçarmos uma linha acompanhando a espinha da escápula até o solo, podemos determinar o alcance máximo do passo do animal com um único movimento. Não é difícil deduzir que alterações dos ângulos articulares considerados vão influir nesse alcance. Assim, por exemplo, se o ângulo escapulo umeral for maior que 90º, o passo é mais curto mas a seqüência dos passos é mais rápida. Na maioria das raças é um defeito mas, em algumas, é desejável (Fox Terrier, dobermann). Ao inverso, um ombro muito fechado projeta a linha para mais longe do apoio. Teoricamente o alcance é maior mas, na prática, esse alcance é maior do que o próprio comprimento do membro que, assim, termina o movimento em pleno ar. Nesse caso o novo apoio far-se-a com impacto, o que cansativo e estressante que bate com a almofada plantares no solo (“padding”) ao invés de apóia-las harmoniosamente. Algumas raças apresentam movimentos especiais nos membros dianteiros; além das apontadas (passos curtos), o mais típico é o do Pinscher Miniatura em que todas as articulações, inclusive os dedos, flexionam-se exageradamente levantando todos os membros e resultando em passos curtos e rápidos. Esse movimento é chamado de “hachney” e está intimamente associado a estrutura do membro. Semelhante, porém não igual ao hackney é a chamda ação alta (high action). Neste caso, e é sempre defeito, o anterior não tem condições de compensar a propulsão dos posteriores. Para que os pés não se choquem (posteriores x anteriores), o animal retira rapidamente os anteriores do solo, levantando-os exageradamente mas sem as flexões acentuadas do “hackney”. Esta movimentação é vista como correta no Greyhound Italiano pela acentuada curvatura da coluna que, mesmo em movimento, não se desfaz totalmente. De qualquer forma ela também pode aparecer, transitóriamente, no início do movimento de qualquer raça de coluna convexa, mas desaparecendo à medida que a propulsão dos posteriores se equilibra com com a resposta dos anteriores e a coluna se acomoda. Nestes casos , a sua manutenção durante todo o movimento é defeito (em caso de dúvida faça o animal dar uma volta mais ampla). Ela também é insinuada no Ibizan Hound, no qual se pede um trote alto.
Devemos considerar agora a região do carpo e metacarpo. O carpo é constituído por duas fileiras de ossos, num total de sete e, como já mencionamos anteriormente, serve para dar maior flexibilidade a região (corresponde ao nosso punho) e amortecer os impactos que são transmitidos ao conjunto rádio-ulna e daí a raiz do membro. Externamente e na porção posterior, aí encontramos uma formação fibrosa, revestida de pele muito espessa, sem pelos, que é chamada de coxim ou almofada carpal, cuja função é proteger o carpo de choques com o solo, na eventualidade de flexões exageradas durante o movimento (principalmente em velocidade, quando o impacto é maior). Na seqüência temos a região do metacarpo (corresponde a nossa palma da mão) e é formada por quatro ossos (se não considerarmos o quinto dedo) que na realidade é o primeiro, o nosso polegar. O comprimento desses ossos varia conforme a raça, de modo geral, são mais longos nos cães de velocidade e mais curtos nos cães de força ou de anteriores e posteriores curtos. Considerados como um todo apresentam uma ligeira inclinação relativamente ao eixo do membro. Essa inclinação favorece o efeito de amortecedor do conjunto e sua alteração condiciona movimentos “duros”, se for muito reto ou, ao contrário, “pesados” se for muito inclinado. Algumas raças, entretanto, pedem metacarpos bem perpendiculares ao solo (Foxhound) ou nitidamente inclinados (Pastor Alemão). Muitas vezes é a este nível que notamos desvios de aprumos quase sempre decorrentes de problemas ao nível de ombros deslocados para frente ou tórax estreito, sem apoio para os cotovelos, exigem que o animal coloque os pés para fora para garantir o equilíbrio. Ao contrário, tórax muito longo (quando defeito) tende a afastar os cotovelos e os pés se voltam para dentro. Os desvios também podem acontecer por ligamentos pouco resistentes ou torções ósseas (em cães novos nos quais o tórax ainda não está totalmente desenvolvido ou os ligamentos são mais frouxos esses desvios devem ser cuidadosamente considerados). Finalmente temos as falanges, que são os ossos dos dedos e que veremos mais adiante.

Olhando o animal de frente, em movimento, notamos que a tendência dos anteriores é aproximar as extremidades. Isso decorre da procura de uma estabilização de tal maneira que o centro de gravidade se desloque em linha reta, de trás para frente, facilitando o movimento. Ao caminhar com os membros separados o centro de gravidade oscila também de um lado para outro, isso é normal nos movimentos mais lentos. Lembrar que nas raças de tipo compacto e tórax muito largo como o Bulldog por exemplo, essa aproximação é relativa, não devemos confundi-la com movimentos defeituosos em que os anteriores cruzam, passando de um lado para outro, quase sempre em decorrência de ombros e cotovelos mal colocados, inclusive por tórax estreito.

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