HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pescoço

O pescoço corresponde a primeira porção da coluna vertebral. É constituído pelas vértebras cervicais que são sempre em número de sete; o maior ou o menor comprimento do pescoço está, portanto, relacionado ao tamanho das vértebras. Além de um complexo de pequenos músculos, mais profundos, encontramos na região do pescoço músculos longos que se estendem da cabeça até os ombros (músculo braquiocefálico) ou até o esterno ( músculo estermocefálico). Nesse sentido, além de ser o responsável pelos movimentos da cabeça, o pescoço também interfere no movimentos dos ombros, principalemente pela ação dos músculos branquicefálicos que, como se prendem aos úmeros, colaboram de maneira efetiva para levar o membro dianteiro para frente. Do ponto de vista da dinâmica o pescoço, modificando a posição da cabeça, desloca o centro de gravidade permitindo o movimento; no sentido inverso, colocando a cabeça para cima e para trás, repõe o centro de gravidade em equilíbrio e permite interromper o movimento, ainda mais, movimentando a cabeça para um outro lado, condiciona a mudança de direção do movimento. É por isso que em cães de velocidade pede-se um pescoço longo e, em cães de força um curto que garante a estabilidade. Para fins de julgamento, além do tamanho, também são considerados outros aspectos do pescoço; de modo geral sua forma é de um tronco de cone cujo diâmetro aumenta gradativamente da cabeça para o tronco. Essa passagem, chamada de raiz ou inserção do pescoço, deve ser plástica e harmoniosa com o conjunto de ombros e antepeito, revelando ação efetiva e adequada dos músculos cervicais. Sob este aspecto a inserção do pescoço pode ser prejudicada por ombros mal colocados como poderemos analisar mais adiante, sem que o sem que o defeito seja realmente do pescoço. São observados ainda, no julgamento, a linha inferior e superior do pescoço. Na linha superior temos a região da nuca, que é a transição com a cabeça, em correspondência com a articulação do occipital com a primeira vértebra cervical, chamada de atlas. Conforme a raça, a linha superior está retilínea ou com uma ligeira convexidade, quase sempre próxima a região da nuca (região nucal). Na linha inferior devemos lembrar a garganta que é, aqui, a transição com a cabeça, na parte posterior da mandíbula. Segundo a raça, nesta região podem aparecer pregas de pele chamadas de barbelas quando tem sentido longitudinal ou de papadas quando em sentido transversal.

Finalmente, devemos lembrar que o pescoço também é responsável pela maneira como é levada a cabeça (porte); a manutenção de uma boa posição de pescoço e cabeça está intimamente relacionada aos músculos e ligamentos , em especial o ligamento da nuca (nucal) que se extende da cabeça às vértebras cervicais e torácicas. Alterações do comprimento e elasticidade deste ligamento podem alterar inclusive a forma do pescoço, especilamente no que diz respeito a linha superior ( a inferior mudará como conseqüência), assim, por exemplo, um ligamento da nuca curto e rígido levará a um pescoço de convexidade exagerada – pescoço de ovelha – por outro lado, não se pode esquecer que o porte da cabeça poderá estar alterado com problemas relacionados ao membro anterior que, mais adiante será mencionado.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Dog Locomotion and Gait Analysis - Curtis Brow and Dogsteps - A New Look 3º Ed.
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

terça-feira, 8 de março de 2011

Orelhas

Ao árbitro interessa, particularmente, a orelha externa, conhecida como pavilhão ou concha. Sua base estrutural é cartilaginosa e relaciona-se à cabeça por meio de músculos que a sustentam e servem, também, para movimenta-la. Externamente é revestida por pele (couro) e pelos. As características da cartilagem, pele e pelos que revestem são típicas das diferentes raças e descritas nos padrões.

O plano em que a orelha externa se relaciona com a cabeça é conhecido como “inserção” e, conforme o seu nível, pode-se falar em três tipos de inserção: alta, média e baixa. A inserção é dita alta quando o canto externo da orelha está acima do nível dos olhos (ex.: pointer, akita); é média quando está ao nível dos olhos (ex.: maltês); baixa quando está abaixo do nível dos olhos (ex. Cocker Spaniel, Setters). Como você pode “decifrar” isso: pelos cantos externos e internos da orelha, ou seja, o canto externo é a junção de seu bordo posterior ou externo ao crânio e fica próximo ao arco zigomático. O canto interno é a junção de seu bordo anterior ou interno ao crânio e fica próximo ao osso parietal. O tipo de inserção depende da forma do crânio, do arco zigomático, das características da cartilagem e do tipo de pele de cada raça.

Quanto ao porte as orelhas podem ser classificadas em: eretas, semieretas, semi tombadas, tombadas, em botão e em rosa, em uma classificação mais simples.

Em uma classificação um pouco mais complexa podemos nomear quatro tipos e seus sub grupos: Quanto a cartilagem, quanto a inserção própriamente dito, ereção e a pelagem. Neste contexto classificamos a cartilagem com forma, tamanho, espessura, consistência e integridade. Nesta suposição a forma da cartilagem poderia ser triangular, pontiaguda, arredondada e lobular. Pelo tamanho podemos sizer que a orelha possui um contexto largo, estreito, curto e longo. Orelhas finas, médias, espessas e grossas nos definiriam a espessura. Sobre a consistência relacionamos o tipo duro e o mole. Orelhas íntegras , cortadas ou amputadas dariam integridade a cartilagem ou não. A inserção foi descrita acima. Quanto a capacidade de ereção chamaríamos de orelhas inertes (desprovidas de ereção), as eréteis e semieréteis – botão, tulipa e em rosa. Finalmente quanto a pelagem teríamos as lisas, peludas e franjadas.

Nas orelhas eretas a concha mantem-se completamente com o interior do pavilhão à mostra (pastor alemão). Nas semi-eretas a cartilagem dobra-se para a frente no seu terço final (ou na metade); é clássica do collie e do shetland. Nas semi-tombadas a dobra da cartilagem é feita no primeiro terço junto a base (irish terrier). Nestes tipos de inserção é sempre alta.Nas tombadas, a cartilagem é mais delicada e todo o pavilhão dobra-se para baixo, a inserção pode ser alta (pointer) ou média (maltês) mas, quase sempre é baixa (basset).

Nas orelhas em botão a dobra é junto a base, são pequenas e voltadas para a frente (pug). Em rosa, são orelhas que sofrem duas dobraduras, uma longitudinal e outra transversal, com isso, dobram-se para trás e são justapostas à cabeça (bulldogue inglês). Particularidades são apresentadas em cada padrão racial.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Guia para a Dissecção do Cão - Evans & deLahunta - Guanabara Coogan
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

terça-feira, 1 de março de 2011

Olhos


Ao examinar os olhos, os juízes, levam em conta a forma, a cor (em cães que o padrão exige), a posição e a expressão. De modo geral esses itens fazem parte das descrições de padrão racial e são próprios de cada raça. Relativamente à forma e posição, não se pode deixar de lado os aspectos ligados ao tipo, que já foi descrito, isso é de extrema importância em uma análise comparativa ao padrão. Alterações da forma e posição exigidas, geralmente são faltas graves e isso quase nunca é uma percepção simplesmente visual, pois implicam diretamente em modificações de toda a estrutura óssea do crânio (o globo ocular é sempre esférico). Assim, por exemplo, olhos redondos em um Afghan estão associados a crânio longo ou stop muito evidente; da mesma forma olhos achinesados (estreitos) em um Boxer decorrem de crânio estreito, testa fugida (inclinada), focinho longo e de pouca substância, e assim por diante. Relativamente aos olhos, também devem ser considerados, as pálpebras, superior e inferior, que são dobras de pele que servem para protegê-los. Os padrões costumam especificar a pigmentação desejável para a borda das pálpebras, bem como conjuntiva, que é a mucosa interna mas às vezes, isto é permitido ou mesmo desejado. Não se pode esquecer a terceira pálpebra – estrutura fibro cartilaginea localizada junto ao canto interno do olho. Quando distendida altera a expressão do cão.

Todos os aspectos anatômicos são classificados. Os olhos são observados quanto a sua inserção, ou seja, quanto a sua colocação: frontais, oblíqua ou laterais. Depois vem a inclusão: olhos profundos ou proeminentes. Os olhos são classificados, também, por sua forma; ou redondos, arredondados, ovais, amendoados ou triangulares. Os olhos são observados quanto a sua cor; escuros (pretos, castanhos escuros, avelã ou marron escuro e avelã ou âmbar), olhos claros. Alguns padrões determinam – Chesapeake Bay Retrevier, amarelos ou marron claro. Outros padrões permitem – olhos azuis (siberiano), azuis ou cinza (old english sheep dog), azul merle (shetland), amarelo (bloodhound, puli, etc). Alguns padrões toleram – Dogue Alemão, azuis. Dogue Alemão Preto, marrons claros. Dálmata, olhos âmbar. E, muitos padrões, desqualificam pela cor clara: olhos azuis – Pointer Alemão, Bernese, Fila Brasileiro, Malamute do Alaska, Komodor, etc. Ohos amarelos – American Water Spaniel, Briard. Há os olhos mistos na cor (partecoloridos), algumas raças permitem (siberiano) outras toleram . Há os olhos extremamente claros chamados de “Olhos de Porcelana”. Os chamados olhos de rapina são olhos onde o tamanho da íris permite que parte da esclerótica apareça. É sempre uma falta. Um árbitro analisa todos estes aspectos mediante a expressão do cão.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dentes


Os dentes são órgãos duros, resistentes, de estrutura complexa e cor esbranquiçada, que servem à preensão e dilaceramento dos alimentos. Doenças infecciosas ou carência de certos medicamentos, principalmente na fase da troca, podem alterar o aspecto dos dentes definitivos.
Na primeira dentição (de leite) o cão tem 28 dentes e, na segunda dentição (definitiva), o número de dentes é de 42. São 20 dentes na arcada superior e 22 na arcada inferior assim distribuídos:
Arcada superior: 6 incisivos – 2 caninos – 8 prémolares – 4 molares
Arcada inferior: 6 incisivos – 2 caninos – 8 prémolares – 6 molares

O único prémolar superior e o primeiro molar inferior são também chamados de “carniceiros” e são característicos da espécie; os incisivos, considerados aos pares em cada arcada são às vezes denominados de pinças (os laterais).



A falta de dentes constitui defeito mais ou menos grave conforme a raça considerada, e de acordo com as exigências dos padrões.

Outro ponto da maior importância é a oclusão dentária conhecida em cinofilia como “mordedura” e, é sempre verificada pela relação estabelecida entre os incisivos superiores e inferiores.

A mordedura mais comum é a chamada “em tesoura”. Neste caso os incisivos superiores sobrepõe-se aos inferiores, de tal maneira que a face interna daqueles fica justaposta à face externa destes. É encontrada nas maiorias das raças – cães pastores, cães de caça, cães nórdicos, etc, caracteriza-se por ser mais suave e mais segura do que o tipo a seguir, isto é, a mordedura “em torquês”, nestes casos os incisisvos se tocam pelas suas bordas livres. Esta mordida caracteriza-se por ser muito dilacerante mas é pouco segura. Aparece em alguns terriers (é necessário pelo tipo de caça) e, também, em alguns braquicéfalos, devido ao encurtamento do focinho.

Quando os incisivos superiores e inferiores se distanciam muito, temos os chamados prognatismos. Os termos prognatismo superior e inferior usados em cinofilia são inadequados mas, infelizmente, já estão consagrados mais pelo uso. O prognatismo superior (termo correto é retro ou braquignatismo, pois é a mandíbula que se retrai) é sempre defeito. O inferior, quando os incisivos inferiores ultrapassam os superiores tanto pode ser o tipo mordedura desejada, como pode ser uma falta grave. Em vários braquicéfalos é a mordedura ideal ou pelo menos, permitida.

Nos cães de focinho muito longo, não é raro vermos os incisivos superiores distanciarem-se dos inferiores devido à sua implantação, que é mais inclinada; isto não configura um prognatismo típico, da mesma maneira como desvios de um ou outro incisivo dentro do conjunto, não devem ser considerados como prognatismo.

Nas avaliações comparativas o tipo de crânio será, também, como referência. Tomando exemplos extremos: prognatismo superior num braquicéfalo ou, ao contrário, prognatismo inferior num dolicocéfalo, são sempre faltas muito graves, pois fogem as tendências do tipo.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tipos de Crânio e Cabeça

Vejamos agora, dentro da idéia dos tipos constitucionais, os tipos de crânio e, consequentemente, os aspectos funcionais e suas características comuns nas diferentes raças. A classificação dos crânios é essencialmente anatômica (óssea), e feita basicamente pelas medidas do comprimento (da extremidade do maxilar) e da largura (entre os ângulos internos das cavidades orbitárias).

Da relação entre essas duas medidas pode mos classificar três tipos básicos de crânios:

- dolicocéfalos
- braquicéfalos
- mesaticéfalos (mesocéfalos).


Nos dolicocéfalos o comprimento (eixo longitudinal) ultrapassa muito a largura (eixo transversal). O crânio é estreito e longo, os arcos zigomáticos e as arcadas superciliares são pouco marcadas e a crista sagital é bem desenvolvida. As cavidades orbitárias são estreitas e laterais.

Nos braquicéfalos o comprimento ultrapassa pouco a largura. O crânio é curto e largo, os arcos zigomáticos são muito desenvolvidos e robustos e as arcadas superciliares bem marcadas. As cavidades orbitárias são redondas e frontais.

Nos mesaticéfalos as proporções são intermediárias, anatomicamente normais. O crânio é acentuadamente longo ou largo, os arcos zigomáticos e as arcadas superciliares são de desenvolvimento médio, sem exageros. As cavidades orbitárias são ovais e fronto-laterais.

Essas descrições são genéricas e, naturalmente, existem exceções, conforme a raça.

Como dissemos, essas classificações são mais anatômicas. Para fins de avaliação dá-se preferência a uma classificação mais zootécnica, que considera o animal mais ao vivo, portanto com a parte óssea e as partes moles, músculos principalmente, além do tecido conjuntivo, pele, etc., neste caso temos os tipos de cabeça, que levam em consideração a forma geral desse segmento sobreposto, é claro, a um determinado tipo de crânio.

São quatro tipos de cabeça;

- graióides
- lupóides
- bracóides
- molossóides

Antes de descrevê-los cabe lembrar que a dolicocefalia é característica da espécie, aparecendo em grau maior ou menor na maioria das raças. A braquicefalia é um extremo oposto, quase excepcional e também pode ser de diferentes graus. A mesocefalia, por outro lado é muito difícil de ser determinada pois implica em índices bem definidos e únicos; qualquer desvio para mais ou para menos implica em diferentes graus de dolico ou braquicefalia.


Graióides são dolicocéfalos extremos. A cabeça pode ser comparada a um cone; não há linhas de transição marcantes entre o focinho e o crânio ou entre o “dorso” e as paredes laterais do focinho, o stop, portanto é muito poiuco marcado ou inexistente e os olhos são estreitos e colocados lateralmente; esta colocação permite um campo de visão bem amplo, imprescindível a animais que perseguem a caça viva e em velocidade pois, qualquer mudança de direção é rapidamente detectada pelo cão, embora sem muita nitidez.
O fechamento das mandíbulas depende mais do músculo temporal e, embora a “mordida” não seja de extrema potência, ela pode ser melhor controlada, permitindo a preensão da caça sem grandes danos. Então sempre associados a cães do tipo longilíneo.

Lupóides talvez é o tipo clássico da espécie canina. São dolicocéfalos em diferentes graus e a cabeça é comparada a um tronco de pirêmide. O stop é mais pronunciado que o tipo anterior; os olhos fronto laterais equilibram campo e acuidade visual e são, em geral, ovais. O arco zigomático de desenvolvimento relativo permite ação equilibrada dos músculos temporal e masseter garantindo equilíbrio entre potência e sutileza na mordida. De modo geral estão associados aos pastores, cães nórdicos e terriers. Estão relacionados a tipos mediolíneos. Alguns autores aqui acrescentam um subtipo – vulpinóides – nos quais o focinho é um pouco mais curto e o crânio é um pouco mais largo, consequentemente os olhos são ligeiramente mais arredondados e deslocados para frente e o focinho destaca-se mais do crânio, lembtrando uma raposa (vulpis). Como exemplo são citados raças como o pomerânia, o welsh corgi, etc.

Bracóides são também dolicocéfalos em diferentes graus e, ás vezes, até moderadamente dolicocéfalos. A cabeça pode ser comparada a um paralelepípedo, metade crânio – metade focinho. A linha superior do crânio é nitidamente paralela à linha superior do focinho. O stop é bem marcado. As faces superiores do crânio ou do focinho são bem destacadas das paredes laterais respectivas. Para os olhos e o arco zigomático valem os comentários feitos para os lupóides. De modo geral os bracóides são do tipo mediolíneo e estão intimamente associados aos cães de caça, tiro e farejadores... pointers, beagles, etc.

Molossóides são essencialmente braquicéfalos. A cabeça é comparada a um cubo ou a uma esfera. Caracterizam-se por encurtamento acentuado do focinho e alargamento nítido do crânio; consequentemente os olhos são arredondados ou mesmo redondos e caracterizam-se por grande acuidade visual. (cães de ataque). Arco zigomático é muito proeminente e robusto garantindo forte inserção para o músculo masseter que em geral é bem desenvolvido; a mordida é extremamente potente mas brusca e com pouca ou nenhuma sutileza. Em casos de braquicefalia, a cabeça torna-se arredondada pelo encurtamento máximo do focinho; o nariz coloca-se quase entre os olhos que são bem redondos, cheios e frontais, como acontece no pequinês. São do tipo brevelíneos e relacionados aos antigos cães de guarda e ataque – boxer, bullmastiff, pug, etc.

Mais uma vez colocamos que essas descrições são genéricas e, conforme área considerada, podem aparecer algumas variações. Além disso, os processos de relação levaram a tipos intermediários - bracolupóides – e até os tipos de difícil definição, como é o caso do bullterrier, que é um dolicocéfalo, tem olhos triangulares bem estreitos e separados, mas arcos zigomáticos muito fortes, com masseteres extremamente desenvovidos, para citar apenas alguns detalhes.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Crânio e Cabeça

Entende-se por crânio o esqueleto ósseo da cabeça. Compreende um conjunto bastante complexo que tem por finalidade abriga e proteger, não apenas a porção encefálica do sistema nervoso central mas, ainda, a maioria dos órgãos dos sentidos bem como as opções iniciais dos aparelhos respiratórios e digestivo, etc. Para a nossa finalidade vamos nos deter apenas em partes de interesse para os árbitros (não juizes!), quer nas interpretações dos padrões, quer na aplicação ao avaliar um animal. Dessa forma, nossas descrições serão suscintas e genéricas, nem sempre seguindo o preciosismo anatômico. Para fins didáticos o crânio pode ser dividido em crânio propriamente dito e face ou focinho. Assim, no crânio propriamente dito interessam-nos os ossos frontais, parietais e o occipital. Os frontais formam a região da testa e, junto com os parietais, o teto da caixa craniana – a linha superior do crânio. Em muitas raças, na linha de fusão dos frontais e parietais de cada lado, forma-se, acompanhando o topo do crânio, uma crista óssea chamada de crista sagital, cuja função éaumentar a superfície de inserção muscular (músculo temporal). O occipital constitui a parte posterior do crânio (nuca); é um osso ímpar e, na sua porção superior, aonde se funde com os parietais, forma uma saliência mais ou menos pretuberantes, dependendo da raça. Na região da cavidade orbitária o osso frontal mostra um prolongamento, o processo zigomático ou supra orbitário, que participa da formação da parte superior dessa cavidade e que se continua, no cão, com uma lâmina de cartilagem (em outros animais é totalmente óssea); ainda na região da testa, é a superfície externa do frontal que determina a presença de arcadas superciliares mais ou manos desenvolvidas.


Na região do focinho devemos dar destaque aos ossos maxilares, nasais e mandibulares. Os ossos maxilares formam as paredes laterais do focinho e dão implatação aos dentes da arcada superior; na porção superior, entre os ossos maxilares, situam-se os ossos nasais que determinam a linha superior do focinho; na porção mais anterior os nasais continuam-se com as cartilagens parientais que formam o arcabouço do nariz. O Nariz (trufa) é a parte externa do aparelho respiratório e suas características de forma, cor, etc dizem respeito aos padrões raciais. O conjunto dos ossos nasais e maxilares é conhecido como maxilar superior; a linha de transição desses ossos com os ossos frontais forma um ângulo que pode ou não ser pronunciado e que é, em cinofilia (cinologia), denominado de “stop” (quanto mais evidente o ângulo, tanto mais evidente o stop).


Os ossos mandibulares, um de cada lado, fundem-se na sua extremidade anterior, queixo, constituindo a mandíbula (maxilar inferior). A mandíbula é a parte móvel do crânio e nela estão implantados os dentes da arcada inferior. A mandíbula tem origem embriológica e desenvolvimento diferente e independente do esqueleto ósseo, por essa razão o seu crescimento, correto ou incorreto, que acaba de determinar o tipo de mordedura (oclusão dental) ou ao contrário, uma série de defeitos de boca; assim,por exemplo, nas torções mandibulares, o osso de um lado cresce menos do que o do outro e a união deles ficará, portanto, deslocada em relação ao plano mediano.


Devemos ainda considerar o arco zigomático (não confundir com processo zigomático). Este arco ósseo é formado por prolongamentos (processos) de ossos da face (molar, maxilar) e do crânio (temporal) e, além de reforçar o conjunto, serve de inserção para músculos responsáveis pelo fechamento da mandíbula (músculo masseter).

O fechamento da mandíbula, seja para a mastigação normal seja para preensão, depende básicamente de dois músculos: o temporal e o masseter (além de outros). Variações conforme o tipo e, portanto a importância funcional, serão vistos depois. A região de transição entre mandíbula e a face inferior do pescoço é chamada de garganta.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Articulações e Músculos


A união entre dois ou mais ossos constitui as articulações (ou juntas). Elas podem ser fixas (imóveis), como entre os ossos do crânio ou móveis, como entre os ossos dos membros. É portanto sobre uma articulação que, sob ação dos músculos, a peça óssea se move. Nas articulações móveis as extremidades ósseas são revestidas por cartilagem e entre elas encontramos um líquido que serve como lubrificante (sinovia) e está contido dentro de uma cápsula predominantemente fibrosa, a cápsula articular, que se estende de um osso a outro, fixado próximo às extremidades. As vezes, aí existem formações fibroelásticas, como os meniscos, que facilitam a adaptação das extremidades ósseas e reduzem o atrito nos movimentos. As articulações também são mantidas em posição pelos ligamentos que ainda servem para orientar e limitar os movimentos; o conjunto é reforçado, as vezes, pela passagem dos músculos ou tendões musculares (o tendão é um prolongamento do músculo, com poucas fibras musculares, enquanto o ligamento é essencialmente fibroso e independente dos músculos).



Os músculos exercem sua ação por meio de contrações, comandadas pelo sistema nervoso; dessa forma diminuindo a distância entre suas extremidades, presos a ossos diferentes, provoca o deslocamento da peça óssea que se movimenta apoiada na articulação correspondente abrindo-a (músculos extensores) ou fechando-as (músculos flexores). Raramente um músculo atua sozinho. O movimento é dado pela ação de um conjunto de músculos, alguns principais e outros auxiliares, na dependencia do movimento executado. Exemplo interessante é o músculo multifido dorsal, formado por pequenos músculos que vão de vértebra a vértebra; atuando em conjunto permitem uma série de movimentos da coluna vertebral.

Como vão de osso a osso, os músculos longos possuem um segmento maior de contração, que entretanto é mais lenta (movimentos amplos). Já os músculos curtos apresentam pequena contração, que porém é rápida (movimentos bruscos), muitas vezes são coadjuvantes: os curtos iniciam o movimento e os longos o completam. Tão ou mais importante do que o tamanho é o ângulo que o músculo toma em relação ao osso no qual se insere e sobre o qual vai agir. Aqui entra a importância dos ângulos articulares. Se a articulação é mais fechada (bem angulado), basta uma pequena contração para que a extremidade óssea sofra um deslocamento acentuado, o que pode ser traduzido por um melhor rendimento (o famoso “Alcance de Solo”) com um único movimento (menos gasto de energia); numa articulação mais aberta (pouco angulado), a mesma contração desloca pouco a estremidade, menor alcance de solo porém com uma maior estabilidade. Em casos extremos, de pouquíssima angulação, a contração muscular ao invés de fechar a articulação, aproxima as peças ósseas gerando ao animal muita firmeza no apoio. É por essa razão que os membros posteriores devem ser bem angulados nos cães de média ou grande velocidade e boa cobertura de terreno (ex.: longilíneos e mediolíneos) e, ao contrário, deve ser pouco angulado nos cães de nítida ação (força) física (brevilíneos).

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