HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Esqueleto


É o conjunto de peças regidas, predominantemente ósseas que, unidas entre si (articulações) formam a estrutura de sustentação do corpo do cão. Quanto à dinâmica, constituem os elementos passivos do movimento, sobre os quais se fixam os músculos, que são os elementos ativos.

Em linhas gerais os ossos podem ser de três tipos:

- Chatos: formam amplas áreas para a inserção de grandes massas musculares (escápula, por exemplo) ou unem-se para formar estojos de proteção as estruturas delicadas (ossos do crânio, por exemplo).

- Curtos: aparecem em conjunto em regiões que exigem mobilidade em várias direções, tambématuando no amortecimento de impactos (ossos do corpo, por exemplo).

- Longos: são característicos dos membros, servindo, além da sustentação, como alavancas para os nmúsculos locomotores.

Existem ainda ossos irregulares, acessórios, como os sesamoideos e a patela (rótula), cuja função é alterar a direção dos tendões facilitando o trabalho muscular.

O esqueleto pode ser dividido em Axial que compreende a cabeça e a coluna vertebral (mais a caixa torácica) e, apendicular que compreende os membros anterior e posterior. A nomenclatura e particularidades de interesses dos ossos de cada segmento serão vistas nos próximos segmentos correspondentes.

O que é importante anotar aqui é que, com exceção das vértebras caudais, todos os cães de qualquer raça tem exatamente os mesmos ossos e em igual número. As variações de forma externa se devem a modificações de forma do osso, como por exemplo, o encurtamento de alguns ossos nos membros dos dachshunds... igualmente, cães mais longos ou mais curtos não possuem mais ou menos vértebras; o que acontece é que elas são mais longas e mais estreitas nos longelíneos e mais curtas e mais largas nos brevilíneos, além disso, naqueles os ligamentos intervertebrais são mais longos e elásticos e, nestes, são mais curtos e rígidos, conferindo as características de flexibilidade ou estabilidade de cada um dos tipos considerados. Aliás, essa norma acompanha os demais ossos que nos longilíneos são mais longos e finos, levando a uma estrutura óssea mais leve (não frágil); nos brevilíneos é mais pesada (não grosseira), com variações intermediárias, naturalmente. Ainda mais, dada a relação osso e músculo, vê-se que é impossível uma boa massa muscular se não houver boa estrutura óssea. O inverso, porém, pode acontecer... bons ossos e musculatura deficiente por falta de trabalho, exercícios, etc., desvios ósseos como por exemplo a torção da mandíbula, torção de metacarpo, etc, são sempre defeitos muito graves.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Centro de Gravidade do Cão


Todo o sólido possui um ponto onde se encontram e se anulam as forças que sobre ele atuam. Da manutenção da estabilidade desse ponto depende o equilíbrio do sólido e num sentido mais dinâmico, podemos dizer que certos movimentos são possíveis, sem que haja desequilíbrio ou deslocamentos, sempre que a projeção desse ponto sobre o solo, por meio de uma linha perpendicular, nem saia dos limites da base desse sólido ou da área de projeção circunscrita por seus pontos de apoio (os pés de uma mesa, por exemplo). Nos sólidos geométricos regulares esse ponto coincide com o centro, isto é, o ponto de encontro de suas diagonais ou diâmetros. No cão, devido a massa muscular da porção anterior, mais o pescoço e a cabeça, o centro de gravidade desloca-se para a frente , situando-se, de modo geral, logo através da ponta do cotovelo e a meia altura do tórax. O deslocamento desse centro de gravidade para a frente é o que permite o animal caminhar e é nesse deslocamento que o pescoço e a cabeça assumem o seu papel dinâmico – para iniciar o movimento , o cão abaixa a cabeça e, para detê-lo, levanta a cabeça. Associando estes princípios aos tipos constitucionais pode-se entender melhor certas exigências dos padrões e suas aplicações funcionais. Tomando como exemplo os tipos extremos: os longilíneos são estreitos e de pescoço longo, portanto de equilíbrio instável e fácil alterações do centro de gravidade para a frente o que facilita o ganho de velocidade. Os brevilíneos, curtos e largos e de pescoço curto, ao contrário, matem com mais facilidade o centro de gravidade, mesmo oscilando dentro da área de equilíbrio e assim, perdem velocidade, por outro lado garantem a estabilidade necessária para a aplicação de força física.

Em termos de aplicações: quando um padrão racial de um greyhound pede um pescoço longo, não é um detalhe aleatório ou meramente estético pois um pescoço curto e grosso, que dificulte o deslocamento do centro de gravidade, fere o tipo porque, dificulta a função desejada. Paralelamente um bulldog inglês estreito e de pescoço longo teria comprometida a necessária estabilidade.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

Tipos Constitucionais


O primeiro aspecto a ser observado ao julgar um animal é o tipo – típico ou atípico. Em sentido estrito o tipo está relacionado a cada padrão racial e, em sentido amplo, refere-se à característica de estrutura anatômica que, em linhas gerais, são comuns a várias raças que desempenham trabalhos similares. Assim o tipo constitucional – biótipo, zootipo – pode ser definido como “o esquema arquitetônico ao qual correspodem animais que, mesmo de diferentes origens, apresentam as mesmas aptidões funcionais”. Nesse sentido o conhecimento da função específica de uma raça facilita sobre maneira a compreensão de seu padrão racial, no que diz respeito as exigências estruturais e como avaliá-las. A grosso modo o tipo resulta do desenvolvimento do genótipo que é a carga hereditária do animal (criador), sobre o qual atuam fatores não genéticos, chamados de parátipos, como por exemplo, clima, tipo de terreno, alimentação, nutrição, espaço disponível, controle parasitário, vacinas, etc. (proprietário) que permitem, ou não, o desenvolvimento dessa potencialidade genética. Sob esse enfoque o tipo constitucional confunde-se com o fenótipo – exterior do animal que, por indução, reporta-se à sua característica ganética.

Em linhas gerais o biotipo é definido a partir dos seguintes elementos:

- diâmetros
- perfil
- harmonia de construção

Os diâmetros são, em termos anatômicos, os parâmetros que definem matematicamente e geométricamente o tipo: em síntese, dizem respeito as relações entre comprimento (eixo longitudinal) e largura (eixo transversal). Outras medidas também são usadas, mas essas são as essenciais para uma avaliação rápida. O perfil é representado pelas linhas de contorno do corpo e, de modo geral, melhor apreciado na cabeça por ser o segmento que nos animais, menos alterações sofrem com fatores externos como obesidade, gestações, etc. A harmonia de construção diz respeito ao equlíbrio de proporções dos diferentes segmentos corpóreos. Varia de raça para raça e está intimamente ligada ao conceito de beleza zootécnica (funcional) que nada tem a ver com o conceito de beleza subjetiva (pessoal) que, sob hipótese alguma, deve pesar no julgamento.

Nos cães são definidos quatro tipos constitucionais básicos:

- longilíneos
- mediolíneos
- brevilíneos
- anacolinorfos

Nos longilíneos há predomínio acentuado dos eixos longitudinais sobre os transversais: o crânio é longo e estreito, o pescoço e corpo são longos, o corpo é longo e o tórax relativamente estreito, os membros longos e finos. O aspecto geral é de beleza e aerodinamismo: este tipo engloba os cães de grande velocidade, como os borzóis, whippets, etc.

Nos mediolíneos as proporções são mais equlibradas, anatomicamente falando e escrevendo – “nem tão largo, nem tão longo”. Em nenhum dos segmentos corpóreos há extremos de relação entre os eixos de medida. Também no aspecto funcional equilibram força e velocidade moderadamente, entretanto, não dotado de grande resistência física para toda uma jornada de trabalho, como acontece com cães pastores, cães de caça e tiro, etc.

Nos brevilíneos os eixos longitudinais ultrapassam pouco os transversais: o corpo é curto e o tórax largo, membros curtos e grossos, como também o pescoço, sendo a cabeça também curta e larga. A idéia geral é de compacticidade, robustez e estabilidade. São animais de grande força física, como por exemplo, os bulldogues, o mastim napolitano, etc.

Os anacolinorfos apresentam a cabeça, o pescoço e o tronco em proporções normais. Uns tem os membros extremamente encurtados facilitando o trabalho junto ao solo(basset-hound) ou sob o solo (dachshund, terrier escocês).

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pedigree

"Pedigree" é a palavra mais comum, importante e fundamental na léxicografia de um cinófilo. Se deriva do latim PEDIS. Vem do Francês "pé de grou"... porque os registros genealógicos dos criadores ingleses de cavalo utilizavam uma marca feita com três traços retilíneos que lembravam a pegada da ave "grou".
Sua origem surge no antigo hábito de encher as "árvores genealógicas" de acordo com a forma do pé desta ave, mesma forma que se utiliza na data.
Toda forma de vida tem ancestrais e sómente quando estes ancestrais, tanto do lado paterno como materno, são conhecidos por ao menos 5 gerações (62 ancestrais) se pode dizer que um pedigree é completo.
O uso correto do termo é limitado, todavia em cães e outros animais para que se dê uma definição de raça pura, esta limitação consiste, principalmente, em que ambos os pais sejam da mesma raça e que esta seja pura.
De um cão se deve dizer que é de raça pura ou de preferência que é um cão de "pedigree", jamais se falará de um cão de "puro sangue", terminologia aplicada corretamente aos cavalos de corrida.
Como se origina uma raça? Como foi originada a primeira raça canina? Que os primeiros ancestrais de todos os cães não eram de raça pura pouco importa, já que, até a pouco mais de 150 anos todos os cães eram mestiços em diferentes escalas, exceto raças primitivas como o Siberiano, Samoyeda, Basenji, Malamute, Chow e etc. Por seleção humana dos exemplares que cruzavam, baseados num "fenótipo" parecido, em temperamento, aparência, ou por ter ancestrais similares, se obteve grupos com uniformidade de porte razoáveis, cor, fisiologia, forma e temperamento.
Na continuidade destes acasalamentos contínuos selecionados, se originou o tipo hereditário em aproximadamente 9 anos ou seis gerações. Por tipo hereditário se entende o que será a base para a criação de exemplares de raça pura, já que de pais parecidos entre si em todos os aspectos, se produzirá invariavelmente descendência parecida e uniforme duplicando eles mesmos ou à seus ancestrais.
Existe sempre a possibilidade de que, ainda depois de muitas gerações de criação de raça pura, se apresenta um "atavismo" - reaparecimento, nos descendentes, de certos caracteres ancestrais desaparecidos nas gerações imediatamente anteriores - ou seja, a tendência de se voltar ao tipo original de onde a raça surgiu e cuja característica não está manifesta nos pais, posto que procedem de algum antepassado. Todos os cães registrados possuem pedigree, mas nem todos os cães de pedigree são registrados ou possuem qualquer tipo de registros. O registro de um cão de raça pura consiste na anotação no livro genealógico de um organismo oficial de cinofilia, no caso CBKC - Confederação Brasileira de Kenneis Club - os ancestrais do cão para depois assinar o exemplar um número único que jamais se repete, com o propósito de se fazer mais fácil e permanente a sua identificação.
Tradução e adaptação: Leandro Jorge
Panorama Canino - Revista Argentina de Cinofilia

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Origem do Cão - Uma Hipótese

Origem do cão

O nome científico de qualquer ser vivo é dado de acordo com um método padrão: primeiro, o nome do gênero, começando por uma letra maiúscula, e em seguida a espécie, sempre em minúsculas. Os nomes científicos usualmente são derivados do latim ou grego, ou ainda "latinizações" de nomes próprios.

O uso desse tipo de nomenclatura é muito importante para a comunicação científica: torna possível referir-se a um ser vivo sem problemas de traduções ou ambigüidades. Você pode não saber o que é um volk, susi, warg ou wolf, mas qualquer zoólogo, não importa se na Patagônia ou na Sibéria, sabe o que é um Canis lupus!

Esse é o nome científico do lobo, Canis lupus. Isso significa que o lobo pertence ao gênero Canis, que abarca também os coiotes, chacais e o cão selvagem africano, e à espécie lupus, que é ligeiramente distinta dos coiotes, chacais e do cão selvagem africano.

Até há relativamente pouco tempo, o cão doméstico era designado pelo nome científico Canis familiaris, indicando que ele pertencia ao mesmo gênero do lobo, chacal, coiote e cão selvagem africano, porém com algumas diferenças específicas que seriam suficientes para classificá-lo como outra espécie, separada de qualquer uma das outras. Como veremos no ponto seguinte, muita coisa mudou aqui!

Além da espécie, um terceiro termo pode entrar ainda na composição do nome científico do animal, que é o da sub-espécie, ou raça, ou variedade, e que quando existe aparece logo em seguida ao da espécie, também em minúsculas. Normalmente, a sub-espécie discrimina populações da mesma espécie com pequeníssimas singularidades causadas, por exemplo, pelo isolamento geográfico. E é à ciência da taxonomia que compete o classificar os seres vivos de acordo com Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.
Todo Cachorro é um lobo
Em 1993, a Sociedade Americana de Mamalogistas e o Smithsonian Institute publicaram o manual Espécies de mamíferos do Mundo: Uma referência taxonômica e geográfica (em inglês), editado por D.E. Wilson e D.A.M. Reeder. Nessa obra, conviu-se que o nosso cão doméstico deveria ser designado como Canis lupus familiaris, ao invés do anterior Canis familiaris, confirmando portanto o consenso da comunidade científica que o cão é de fato exatamente da mesma espécie que o lobo, o que é a mesma coisa que dizer que o cão é uma "raça" (ou uma variedade, ou uma sub-espécie) de lobo, como por exemplo o lobo ártico, Canis lupus arctos, que é uma outra variedade de lobo.

Qualquer uma das mais de 400 raças de cães tem, no máximo, 0,2% de diferença genética com um lobo. Ou seja, o Poodle ou o Pequinês são, na realidade, um lobo! Logicamente, um lobo que foi incrivelmente alterado em aparência e comportamento através de gerações e gerações de seleção artificial. Mas geneticamente um lobo, afinal!

Cães e lobos podem cruzar entre si, gerando descendência fértil (os famosos "cães-lobo"). A definição clássica de "espécie" é justamente o conjunto de indivíduos que são capazes de reproduzir-se entre si. Cavalos e burros não são da mesma espécie, o que significa que o produto do seu cruzamento, a mula, tenha baixíssima fertilidade (aliás, desde os romanos o dito Cum mula peperit, "Quando a mula parir", é usado para acontecimentos improváveis).

Um dos procedimentos que os esquimós empregam algumas vezes para "melhorar o sangue" dos seus cães de trenó é justamente deixar as fêmeas no cio numa floresta, à espera de que ela seja coberta por um lobo. Algumas vezes, entretanto, ela pode ser devorada sem maiores delongas...

Na verdade, todos os membros do gênero Canis (lobos, coiotes, chacais e o cão selvagem africano) podem cruzar entre si, em cativeiro, gerando descendência fértil. Portanto, se poderia perguntar, "Então, todos eles são da mesma espécie?". A resposta, entretanto, é não. Eu perguntei isso ao corpo técnico do National Museum of Natural History, e a resposta que me deram era mais ou menos a seguinte: "Embora animais silvestres possam cruzar entre si em cativeiro, isso não implica que o façam na natureza. Portanto, não se aceitam registros de intercruzamento em cativeiro para estabelecer a "sinonimização" das espécies. Ou seja, o conceito de "espécie" leva em conta apenas àqueles cruzamentos que ocorrem na natureza, devidamente comprovados, e não em cativeiro.

As semelhanças entre cães e lobos são tantas, que um cruzamento entre ambos produzirá um animal que pode parecer-se com o cão, o lobo, ou qualquer coisa intermediária, e apenas observando é difícil, senão impossível, saber qual a porcentagem de cada no filhote. Todas as vacinas que são usadas em lobos podem ser usadas em cães e vice-versa, por exemplo.

Portanto, se você tem cachorros, parabéns! Saiba-se desde já parte de uma alcatéia doméstica!
Naturalmente, há algumas diferenças entre os cães e os lobos, e embora a aparência seja a mais chamativa, eu opinaria que não é a mais importante. As distinções que vamos discutir servem na verdade para comparar qualquer animal doméstico com o seu antepassado selvagem.

Em primeiro lugar, os cães apresentam neotenia, isto é, a permanência de características juvenis nos animais adultos.

Nos filhotes de todos os animais, e nos bebês humanos, as proporções entre os membros do corpo são muito diferentes das dos adultos. Por exemplo, animais jovens tipicamente têm cabeças, patas e orelhas “grandes demais” para os seus corpos, mas essa relação vai diminuindo conforme vão atingindo a maturidade. [Portanto, se você é um adolescente traumatizado com o tamanho descomunal das suas orelhas, braços, mãos ou pés, não se preocupe, que isso vai passar!] Focinhos, por outro lado, são pequenos em relação ao resto do crânio nos animais jovens, e maiores nos adultos.

Pois bem, quando esse ajuste natural não acontece, ou não acontece totalmente, temos a chamada neotenia: animais adultos que ainda apresentam pelo menos algumas proporções típicas de filhotes.

Quando se diz que um cão apresenta neotenia, isso significa que, quando comparamos um cachorro adulto com um lobo, as proporções corporais do cachorro estão mais para o filhote de lobo do que para o lobo adulto. Seu esqueleto está, em certo sentido, “acriançado”.

Além das diferenças físicas, os comportamentos são distintos: os filhotes de lobo podem ser amansados até uma determinada idade (antes de que atinjam a maturidade sexual, aos 22 meses), e durante esse período de tempo estão abertos para interações sociais, ou seja, têm aberta a "janela de socialização". Depois disso, já são mais ariscos. Cães, porém, são consistentemente mais amigáveis. Aliás, é precisamente por isso que eles são domésticos: a última coisa que qualquer dono quereria seria um animal que, de repente, não fosse mais tão dócil e amigável. Animais domésticos foram precisamente selecionados para viverem junto com o homem, de acordo com as regras humanas.

Finalmente, o padrão de reprodução dos cães é também diferente. Os lobos, e todos os canídeos selvagens, acasalam-se geralmente no inverno e, após uma gestação de aproximadamente 63 dias, têm sua única prole do ano. Acredita-se que na natureza, o cio das fêmeas seja regulado pelo fotoperíodo, ou seja, pela duração do dia. No inverno, os dias são mais curtos (o período de claridade é menor), e essa diferença, aliada a outros possíveis fatores, seria o “sinal” para o organismo da fêmea de que chegou o período de acasalamento.

As cadelas, ao contrário, podem entrar no cio até duas vezes ao ano, e normalmente esse ciclo não apresenta influências ambientais. A domesticação altera o mecanismo hormonal nativo dos animais.

É por isso que se insiste muito em que um animal doméstico não é a mesma coisa que um animal amansado. Embora ambos possam ser simpáticos e amigáveis, o primeiro é fisica, psicologica e biologicamente distinto do segundo.
Os cães descendem de lobos asiáticos
As evidências arqueológicas, que concordam com todas as outras informações disponíveis, mostram que o ancestral original do nosso cão doméstico não foi uma das grandes sub-espécies nórdicas do lobo, como o lobo cinzento, mas muito provavelmente uma da região do Sudeste Asiático, Oriente Médio e/ou norte da África, como o lobo árabe (Canis lupus arabs) e/ou o lobo indiano (Canis lupus pallipes). Portanto, os cães mais primitivos não são aqueles do tipo dos cães de trenó, mais “parecidos” com lobos, mas sim alguma coisa semelhante ao que é hoje um Basenji, um Cão de Canaã ou ao Dingo australiano.

Há algum tempo vinha sendo sugerida uma contribuição de coiotes, chacais e outros canídeos na origem dos cães domésticos (posto que, como vimos acima, todos os membros do gênero Canis podem cruzar entre si), baseados principalmente em semelhanças físicas, mas os estudos genéticos mais recentes não sustentam essa teoria: ao que tudo indica até o momento, apenas um animal contribuiu decisivamente à origem do cão doméstico, e esse animal é o lobo.
Quando aconteceu

Aqui existe uma aquecida disputa nos meios acadêmicos. Por um lado, os registros arqueológicos mostram os restos de cães domésticos com idade máxima de 14.000 anos. Porém, as análises genéticas, baseadas na divergência do DNA mitocondrial de lobos, cães, coiotes e outros canídeos, empurram essa data muito mais para o passado, há 135.000 anos (ou, ao menos, seguramente mais de 100.000 anos).

Os especialistas em genética de canídeos argumentam que os registros fósseis são capazes apenas de mostrar quando os cães começaram a distinguir-se fisicamente dos lobos. Se os primeiros cães eram tão parecidos com os lobos como vimos, não seria de se estranhar que, observando os seus fósseis, se pensasse que tratavam-se de lobos selvagens. Por sinal, os mesmos vestígios arqueológicos mostram "lobos" associados a humanos desde um passado tão remoto como há 400.000 anos! Quem sabe se esses "lobos" não eram na verdade já os primeiros cães domésticos, com as características desejadas pelos humanos para a convivência?

A data sugerida pelos arqueólogos (14.000 anos) concorda aproximadamente com a época em que os humanos teriam trocado o estilo de vida nômade-caçador pelo agrícola. Tal mudança de estilo de vida teria imposto novas pressões evolutivas sobre os seus animais de estimação, que "responderam" com novas características físicas bastante diferentes das anteriores, e que os distanciavam ainda mais dos lobos selvagens.

Portanto, segundo esses autores, o que os arqueólogos estão vendo são as primeiras diferenças de fenótipo (ou seja, de características exteriores) dos cães. E os geneticistas estão vendo as primeiras diferenças de genótipo (ou seja, da carga genética) dos animais.


Referências Bibliográficas

Carles Vilà, Peter Savolainen, Jesús E. Maldonado, Isabel R. Amorim, John E. Rice, Rodney L. Honeycutt, Keith A. Crandall, Joakim Lundeberg e Robert K. Wayne, "Multiple and ancient origins of the domestic dog", Science 1997, 276, 1687-1689.

Kaoru Tsuda, Yoshiaki Kikkawa, Hiromichi Yonekawa e Yuichi Tanabe, "Extensive interbreeding occurred among multiple matriarchal ancestors during the domestication of dogs: Evidence from inter-and intraspecies polymorphisms in the D-loop region of mitochondrial DNA between dogs and wolves" Genes Genet. Syst. 1997, 72, 229-238.

D. E. Wilson e D. M. Reeder (eds), Mammal Species of the World, Smithsonian Institution Press, 1993, 1206 pp.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cão "Alfa"?


... já é hora de reformularmos as falsas noções de que nossos cães nos vêem como suas “alcatéias” – com as referências ao cão “alfa”, ao domínio e à submissão – é uma das metáforas mais difundidas tanto para as famílias dos humanos quanto para a dos caninos. Ela possui a mesma origem dos cães: estes surgiram de ancestrais do tipo lobo, e os lobos formam alcatéias. Logo, afirma-se, os cães formam alcatéias. A aparente naturalidade desta transição é camuflada por algum dos atributos que não transferimos dos lobos para os cães: os lobos são caçadores, mas não deixamos nossos cães caçar para se alimentar* (são caçadores medíocres em relação a técnica do lobo). E, embora possamos nos sentir seguros com um cão na soleira do quarto de um bebê, nunca deixaríamos um lobo sozinho com nosso recém-nascido adormecido, quatro quilos de carne vulnerável.

No entanto, para muitos, a analogia com uma organização domínio-alcatéia é extremamente atraente, sobretudo, quando somos a parte dominante e o cão a submissa. Uma vez aplicada, a concepção popular de uma alcatéia perpassa todos os tipos de interação com nossos cães: comemos primeiro, o cão depois. Mandamos e ele obedece. Passeamos o cão, ele não nos passeia. Na dúvida de como lidar com um animal em nosso meio, a noção de “alcatéia” nos fornece uma estrutura.

(*) Um lobo caminha calmo e firme em direção a sua presa, sem quaisquer movimentos frívolos. As caminhadas de caça dos cães não adestrados são intermitentes, eles vagam para frente e para trás, aumentando e diminuindo a velocidade... pior ainda eles podem se distrair com sons ou ter uma repentina compulsão para perseguir uma folha que cai. As trilhas dos lobos revelam as suas intenções. Os cães perderam essa intenção... nós nos colocamos nesse lugar.

Refer. Bibliográfica: “Inside of a dog” – Alexandra Horowitz

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sociedade dos Siberianos



Quanto Augusto Comte inventou o termo “Sociologia” e o conceito a ela atribuído nunca, talvez, tivesse ele percebido que a esta, o termo definiria, por suposto, qualidades de conduta entre individuos não humanos aos seus grupos aos quais pertenciam.

Podería, mesmo, ser aplicado ao grupo não humano a organização social dos grupos humanos? Com certeza que sim e, nesta perspectiva, o Lobo e o Cão trariam um conceito básico de organização onde cada indivíduo deste grupo “social” conheceriam tarefas e ações sobre esta “sociedade” canina dando soluções práticas à experiência coletiva.

Uma raça canina tem isto bem definido em seu temperamento instintivo: O Husky Siberiano.

Por este caminho e linha poderíamos compreender as relações dos indivíduos em um grupo de cães siberianos. Poderíamos realizar um estudo analítico das relações “sociais” e de suas “instituições” compreendidos na caracterização da complementação de um “crédito-comum”.

Agora, o que é um grupo de cães siberianos? Quais são sua relações? Como são construídas suas “leis”? Suas ações, suas razões e seus valores comuns?

Os siberianos, assim como os lobos, verdadeiramente, não vivem separados ou solitários, cada qual a sua sorte, buscando soluções “particulares” para seus problemas de sobrevivência. Vivem juntos, partilham de uma forma comum de vida que lhes regulam a existência coletiva e lhes proporcionam a adaptação ao mundo que os rodeiam. Isso é nato nos siberianos.
Esta relação dos siberianos consiste em explicar os aspectos do comportamento encerrados nos conceitos de “sociedade”.

Estes conceitos definem os focos de interesses mútuos e “sociais” que são as formas de agir, impulsionar, “pensar” e sentir, que se repetem onde a relação entre o próprio individuo e o grupo se tornam simbióticos.

Partindo deste princípio podemos examinar e analisar que um elemento do grupo e cada um deles conhecem o funcionamento da matilha. Há uma explicação plausível sobre a estrutura do grupo e a sua associação em relação aos demais integrantes aos quais eles, siberianos, se relacionam.

A matilha como condição de grupo “social” estabelece um paralelo ao “habitat” onde vivem e onde se interagem. O meio biológico e físico é muito importante nesta disposição “social”.

Os siberianos são canideos sociais. O comportamento está intimamente ligado a padrões regulares e repetitivos. Os seres humanos também possuem tais padrões. Os cães não são criaturas isoladas e por si só, os siberianos não são diferentes.


A comunidade dos siberianos expõem sómente as condições associativas da raça, isto é, as relações de organização e cooperação entre os indivíduos do grupo.

As relações entre os siberianos, numa condição “social” de grupo, baseiam-se em fatos de que o comportamento está conformado de muitas habilidades ante aos individuos de outros grupos (matilhas) ou do mesmo grupo ao qual eles estão inseridos.

Os siberianos interagem continuamente, reagem uns aos outros e amoldam seus comportamentos pelos comportamentos dos outros, dos que se impõe dentro da matilha social. A ação é modelada pela ação do outro. O comportamento pode ser dimensionado para a obtenção da resposta do outro, como o esforço que um siberiano estranho a matilha tem de ser reconhecido ou de conquistar a “confiança” do grupo ao qual ele deseja se ingerir ou a tentativa de, pelo menos, não se fazer notar. Isto é uma relação “social” de uma matilha na expectativa das relações recíprocas ao comportamento de um em relação aos outros integrantes da “matilha social”, ou seja, há uma padronização de relações e ações entre indivíduos.

Leandro Jorge