HUSKY SIBERIANO

Resistência - Fidelidade - Inteligência

sábado, 19 de março de 2011

Pés

Ainda que se tratando de membros anteriores, para os quadrúpedes em geral, prefere-se o termo “pé” ao invés de mão, anatomicamente mais correto. O cão é um digitígrado, isto é, apóia-se os dedos pois cada dedo é formado por três falanges – primeira, segunda e terceira. De modo geral os dois dedos centrais são mais longos. Em última análise, os pés sustentam todo o peso do corpo e ainda absorvem os impactos e transferem os impulsos, daí a importância de serem bem constituídos. Sua forma está na dependência do comprimento das falanges e da coesão maior ou menor dos ligamentos digitais; varia segundo a raça e a função de cada raça. Basicamente encontramos duas formas: pés de gato e pés de lebre. Os pés de gato são arredondados, de ossos curtos e ligamentos bem coesos, o que faz com que os dedos apresentem curvatura acentuada e se mantenham bem próximos entre si (pés fechados). Nos pés de lebre os dedos são mais longos, particularmente os centrais e os ligamentos são mais elásticos, garantindo a flexibilidade, a forma externa é oval. Existem naturalmente formas intermediárias.Igualmente podem ou não ser exigidos pelos entre os dedos; em geral, cães que trabalham em terrenos poucos firmes devem ter pelos entre os dedos (Saluki-areia) e mesmo pés ligeiramente abertos e ovais (Husky, Samoieda – neve) que garantam melhor apoio; ainda, as pregas de pele existentes entre os dedos (membranas interdigitais) devem em certas raças (Terra Nova) serem bem desenvolvidas, facilitando o trabalho na água.

Externamente, em correspondência às extremidades dos dedos encontramos formações fibrosas revestidas por pele modificada, as almofadas ou coxins digitais – em número de quatro – uma para cada dedo. Existe ainda em correspondência a região das primeiras falanges uma almofada única, central, chamada de almofada plantar ou palmar que, nesta concepção, tem a função de minimizar os impactos e garantir melhor aderência ao solo. Recobrindo a terceira falange aparecem as unhas (ou garras). Características de forma e cor das almofadas e das unhas deverão ser consideradas segundo o padrão racial.

Um último comentário. Embora o movimento dos cães dependa mais dos posteriores – Propulsão – em certas circunstâncias o papel principal pode ser dos anteriores – Tração. Isso pode acontecer por características especiais de terreno – ladeiras íngremes, solo lamacento ou arrastando pesos. Também em certas raças, nas quais a frente é muito desenvolvida em detrimento dos posteriores, como é o caso do Bulldog Inglês, os anteriores assumem preponderância na movimentação.



Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow
Dogsteps – A New Look – 3ª Edition
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Membros Anteriores

Os membros anteriores possuem duas funções principais entre outras: fornecer apoio ao movimento que nasce dos posteriores (propulsão) e, acompanhando os movimentos de lateralidade do pescoço e cabeça, permitir a mudança de direção. Os ossos principais que formam o esqueleto do membro anterior são: escápula, úmero, rádio e ulna, carpo, metacarpo e falanges. A escápula corresponde a região dos ombros e sua ligação com o tronco é feita exclusivamente por músculos, não existindo articulação óssea (nos animais em geral, não existe a clavícula ou, quando muito, é apenas um resquício). A porção superior da escápula se completa com uma lâmina de cartilagem (coroa da escápula) que em correspondência com as primeiras vértebras torácicas forma a região da cernelha – ponto mais alto do corpo do animal, relacionado à altura que consta nos padrões raciais. Na outra extremidade a escápula articula-se com o úmero que é o osso do braço, formando a articulação do ombro (articulação escapulo-umeral). Na porção média da escápula, acompanhando o seu eixo maior, aparece uma crista óssea chamada de espinha da escápula, que basicamente serve para aumentar a área de inserção muscular e reforçá-la. O ângulo ideal mantido pela escápula em relação à coluna vertebral é de 45 graus; ângulos maiores tendem a verticalizar a escápula levando a cernelha muito proeminente ou, por compensação, a frentes retas devido a abertura da articulação escapulo umeral, ao contrário, ângulos menores tendem a horizontalizar a escápula e, nestes casos, teremos a chamada cernelha plana e aberta pois, as coroas escapulares estarão mais distanciadas em função da curvatura do tórax, sobre o qual os escápulos também podem a levar a defeitos de ombro. Por outro lado esses aspectos podem ser condicionados não por alteração de ângulos articulares mas por um deslocamento total do conjunto. De fato, não existindo articulações ósseas, há predisposição para que o ombro se desloque para a frente ou para trás (mais raro). De qualquer forma ficam alteradas as relações da escápula com o tórax, ainda mais, um ombro deslocado para a frente pode sugerir defeitos de pescoço, principalmente quanto ao seu tamanho e inserção, dando também a impressão de que o cão é longo demais e/ou não tem antepeito bem formado.
A articulação do ombro tem como ângulo ideal o de 90 graus. Considerando o ombro em posição, os ângulos mencionados de 45º e 90º permitem que uma perpendicular ao solo traçada a partir do centro da espinha da escápula caia exatamente no centro da almofada plantar, mantendo-se paralela aos ossos do antebraço, que são o rádio e a ulna (linha vermelha na figura abaixo). Essa disposição é muito importante pois permite ao animal manter-se em pé com o menor esforço possível, dado o equilíbrio de torres entre os músculos extensores e flexores. Na verdade este aspecto constitui o que chamamos de aprumos e a natureza procura mantê-los a qualquer custo, acomodando a escápula e o úmero à largura da caixa torácica ou, inclusive, alterando a forma final de alguns ossos longos, como no caso dos “patas curtas”, para que a perpendicular seja respeitada nos seus pontos extremos – centro da espinha da escápula e almofada plantar.

Visto de lado (famoso “side gait”), podemos notar que os cães de boa velocidade tal disposição permite que a articulação do cotovelo, entre o úmero e o rádio-úlna, seja colocada ao nível da linha inferior do tórax, ou mesmo um pouco abaixo, o que facilita os movimentos amplos necessários ao galope – por isso muito cuidado em falar em cotovelos soltos nos galgos em geral – ao contrário, nos cães baixos, a articulação do cotovelo, pelo encurtamento dos ossos, coloca-se acima da linha inferior do tórax e os movimentos são mais firmes porém de menor amplitude.
Considerando o movimento do membro como um todo, tais angulações e aprumos também resultam em economia de energia; de fato, neste caso, o membro funciona como um pendulo cujo centro ideal é o centro da espinha da escápula. Na realidade a escápula sofre apenas ligeira rotação, cabendo o efeito à abertura ou ao fechamento da articulação escapulo umeral; lembrando a relação do paralelismo entre a linha ideal e os ossos do antebraço vemos que toda a força de contato com o solo passa rapidamente para a raiz do membro. Além disso, se traçarmos uma linha acompanhando a espinha da escápula até o solo, podemos determinar o alcance máximo do passo do animal com um único movimento. Não é difícil deduzir que alterações dos ângulos articulares considerados vão influir nesse alcance. Assim, por exemplo, se o ângulo escapulo umeral for maior que 90º, o passo é mais curto mas a seqüência dos passos é mais rápida. Na maioria das raças é um defeito mas, em algumas, é desejável (Fox Terrier, dobermann). Ao inverso, um ombro muito fechado projeta a linha para mais longe do apoio. Teoricamente o alcance é maior mas, na prática, esse alcance é maior do que o próprio comprimento do membro que, assim, termina o movimento em pleno ar. Nesse caso o novo apoio far-se-a com impacto, o que cansativo e estressante que bate com a almofada plantares no solo (“padding”) ao invés de apóia-las harmoniosamente. Algumas raças apresentam movimentos especiais nos membros dianteiros; além das apontadas (passos curtos), o mais típico é o do Pinscher Miniatura em que todas as articulações, inclusive os dedos, flexionam-se exageradamente levantando todos os membros e resultando em passos curtos e rápidos. Esse movimento é chamado de “hachney” e está intimamente associado a estrutura do membro. Semelhante, porém não igual ao hackney é a chamda ação alta (high action). Neste caso, e é sempre defeito, o anterior não tem condições de compensar a propulsão dos posteriores. Para que os pés não se choquem (posteriores x anteriores), o animal retira rapidamente os anteriores do solo, levantando-os exageradamente mas sem as flexões acentuadas do “hackney”. Esta movimentação é vista como correta no Greyhound Italiano pela acentuada curvatura da coluna que, mesmo em movimento, não se desfaz totalmente. De qualquer forma ela também pode aparecer, transitóriamente, no início do movimento de qualquer raça de coluna convexa, mas desaparecendo à medida que a propulsão dos posteriores se equilibra com com a resposta dos anteriores e a coluna se acomoda. Nestes casos , a sua manutenção durante todo o movimento é defeito (em caso de dúvida faça o animal dar uma volta mais ampla). Ela também é insinuada no Ibizan Hound, no qual se pede um trote alto.
Devemos considerar agora a região do carpo e metacarpo. O carpo é constituído por duas fileiras de ossos, num total de sete e, como já mencionamos anteriormente, serve para dar maior flexibilidade a região (corresponde ao nosso punho) e amortecer os impactos que são transmitidos ao conjunto rádio-ulna e daí a raiz do membro. Externamente e na porção posterior, aí encontramos uma formação fibrosa, revestida de pele muito espessa, sem pelos, que é chamada de coxim ou almofada carpal, cuja função é proteger o carpo de choques com o solo, na eventualidade de flexões exageradas durante o movimento (principalmente em velocidade, quando o impacto é maior). Na seqüência temos a região do metacarpo (corresponde a nossa palma da mão) e é formada por quatro ossos (se não considerarmos o quinto dedo) que na realidade é o primeiro, o nosso polegar. O comprimento desses ossos varia conforme a raça, de modo geral, são mais longos nos cães de velocidade e mais curtos nos cães de força ou de anteriores e posteriores curtos. Considerados como um todo apresentam uma ligeira inclinação relativamente ao eixo do membro. Essa inclinação favorece o efeito de amortecedor do conjunto e sua alteração condiciona movimentos “duros”, se for muito reto ou, ao contrário, “pesados” se for muito inclinado. Algumas raças, entretanto, pedem metacarpos bem perpendiculares ao solo (Foxhound) ou nitidamente inclinados (Pastor Alemão). Muitas vezes é a este nível que notamos desvios de aprumos quase sempre decorrentes de problemas ao nível de ombros deslocados para frente ou tórax estreito, sem apoio para os cotovelos, exigem que o animal coloque os pés para fora para garantir o equilíbrio. Ao contrário, tórax muito longo (quando defeito) tende a afastar os cotovelos e os pés se voltam para dentro. Os desvios também podem acontecer por ligamentos pouco resistentes ou torções ósseas (em cães novos nos quais o tórax ainda não está totalmente desenvolvido ou os ligamentos são mais frouxos esses desvios devem ser cuidadosamente considerados). Finalmente temos as falanges, que são os ossos dos dedos e que veremos mais adiante.

Olhando o animal de frente, em movimento, notamos que a tendência dos anteriores é aproximar as extremidades. Isso decorre da procura de uma estabilização de tal maneira que o centro de gravidade se desloque em linha reta, de trás para frente, facilitando o movimento. Ao caminhar com os membros separados o centro de gravidade oscila também de um lado para outro, isso é normal nos movimentos mais lentos. Lembrar que nas raças de tipo compacto e tórax muito largo como o Bulldog por exemplo, essa aproximação é relativa, não devemos confundi-la com movimentos defeituosos em que os anteriores cruzam, passando de um lado para outro, quase sempre em decorrência de ombros e cotovelos mal colocados, inclusive por tórax estreito.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
Dog Standards Illustred - 1977 - Wagner, Alice - Howell Book House, Inc.
Dog Locomotion and Gait Analysis – Curtis Brow
Dogsteps – A New Look – 3ª Edition
Ilustração adaptada de Siberian Husky - The Family Album - Debbie Meador
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pescoço

O pescoço corresponde a primeira porção da coluna vertebral. É constituído pelas vértebras cervicais que são sempre em número de sete; o maior ou o menor comprimento do pescoço está, portanto, relacionado ao tamanho das vértebras. Além de um complexo de pequenos músculos, mais profundos, encontramos na região do pescoço músculos longos que se estendem da cabeça até os ombros (músculo braquiocefálico) ou até o esterno ( músculo estermocefálico). Nesse sentido, além de ser o responsável pelos movimentos da cabeça, o pescoço também interfere no movimentos dos ombros, principalemente pela ação dos músculos branquicefálicos que, como se prendem aos úmeros, colaboram de maneira efetiva para levar o membro dianteiro para frente. Do ponto de vista da dinâmica o pescoço, modificando a posição da cabeça, desloca o centro de gravidade permitindo o movimento; no sentido inverso, colocando a cabeça para cima e para trás, repõe o centro de gravidade em equilíbrio e permite interromper o movimento, ainda mais, movimentando a cabeça para um outro lado, condiciona a mudança de direção do movimento. É por isso que em cães de velocidade pede-se um pescoço longo e, em cães de força um curto que garante a estabilidade. Para fins de julgamento, além do tamanho, também são considerados outros aspectos do pescoço; de modo geral sua forma é de um tronco de cone cujo diâmetro aumenta gradativamente da cabeça para o tronco. Essa passagem, chamada de raiz ou inserção do pescoço, deve ser plástica e harmoniosa com o conjunto de ombros e antepeito, revelando ação efetiva e adequada dos músculos cervicais. Sob este aspecto a inserção do pescoço pode ser prejudicada por ombros mal colocados como poderemos analisar mais adiante, sem que o sem que o defeito seja realmente do pescoço. São observados ainda, no julgamento, a linha inferior e superior do pescoço. Na linha superior temos a região da nuca, que é a transição com a cabeça, em correspondência com a articulação do occipital com a primeira vértebra cervical, chamada de atlas. Conforme a raça, a linha superior está retilínea ou com uma ligeira convexidade, quase sempre próxima a região da nuca (região nucal). Na linha inferior devemos lembrar a garganta que é, aqui, a transição com a cabeça, na parte posterior da mandíbula. Segundo a raça, nesta região podem aparecer pregas de pele chamadas de barbelas quando tem sentido longitudinal ou de papadas quando em sentido transversal.

Finalmente, devemos lembrar que o pescoço também é responsável pela maneira como é levada a cabeça (porte); a manutenção de uma boa posição de pescoço e cabeça está intimamente relacionada aos músculos e ligamentos , em especial o ligamento da nuca (nucal) que se extende da cabeça às vértebras cervicais e torácicas. Alterações do comprimento e elasticidade deste ligamento podem alterar inclusive a forma do pescoço, especilamente no que diz respeito a linha superior ( a inferior mudará como conseqüência), assim, por exemplo, um ligamento da nuca curto e rígido levará a um pescoço de convexidade exagerada – pescoço de ovelha – por outro lado, não se pode esquecer que o porte da cabeça poderá estar alterado com problemas relacionados ao membro anterior que, mais adiante será mencionado.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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terça-feira, 8 de março de 2011

Orelhas

Ao árbitro interessa, particularmente, a orelha externa, conhecida como pavilhão ou concha. Sua base estrutural é cartilaginosa e relaciona-se à cabeça por meio de músculos que a sustentam e servem, também, para movimenta-la. Externamente é revestida por pele (couro) e pelos. As características da cartilagem, pele e pelos que revestem são típicas das diferentes raças e descritas nos padrões.

O plano em que a orelha externa se relaciona com a cabeça é conhecido como “inserção” e, conforme o seu nível, pode-se falar em três tipos de inserção: alta, média e baixa. A inserção é dita alta quando o canto externo da orelha está acima do nível dos olhos (ex.: pointer, akita); é média quando está ao nível dos olhos (ex.: maltês); baixa quando está abaixo do nível dos olhos (ex. Cocker Spaniel, Setters). Como você pode “decifrar” isso: pelos cantos externos e internos da orelha, ou seja, o canto externo é a junção de seu bordo posterior ou externo ao crânio e fica próximo ao arco zigomático. O canto interno é a junção de seu bordo anterior ou interno ao crânio e fica próximo ao osso parietal. O tipo de inserção depende da forma do crânio, do arco zigomático, das características da cartilagem e do tipo de pele de cada raça.

Quanto ao porte as orelhas podem ser classificadas em: eretas, semieretas, semi tombadas, tombadas, em botão e em rosa, em uma classificação mais simples.

Em uma classificação um pouco mais complexa podemos nomear quatro tipos e seus sub grupos: Quanto a cartilagem, quanto a inserção própriamente dito, ereção e a pelagem. Neste contexto classificamos a cartilagem com forma, tamanho, espessura, consistência e integridade. Nesta suposição a forma da cartilagem poderia ser triangular, pontiaguda, arredondada e lobular. Pelo tamanho podemos sizer que a orelha possui um contexto largo, estreito, curto e longo. Orelhas finas, médias, espessas e grossas nos definiriam a espessura. Sobre a consistência relacionamos o tipo duro e o mole. Orelhas íntegras , cortadas ou amputadas dariam integridade a cartilagem ou não. A inserção foi descrita acima. Quanto a capacidade de ereção chamaríamos de orelhas inertes (desprovidas de ereção), as eréteis e semieréteis – botão, tulipa e em rosa. Finalmente quanto a pelagem teríamos as lisas, peludas e franjadas.

Nas orelhas eretas a concha mantem-se completamente com o interior do pavilhão à mostra (pastor alemão). Nas semi-eretas a cartilagem dobra-se para a frente no seu terço final (ou na metade); é clássica do collie e do shetland. Nas semi-tombadas a dobra da cartilagem é feita no primeiro terço junto a base (irish terrier). Nestes tipos de inserção é sempre alta.Nas tombadas, a cartilagem é mais delicada e todo o pavilhão dobra-se para baixo, a inserção pode ser alta (pointer) ou média (maltês) mas, quase sempre é baixa (basset).

Nas orelhas em botão a dobra é junto a base, são pequenas e voltadas para a frente (pug). Em rosa, são orelhas que sofrem duas dobraduras, uma longitudinal e outra transversal, com isso, dobram-se para trás e são justapostas à cabeça (bulldogue inglês). Particularidades são apresentadas em cada padrão racial.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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Guia para a Dissecção do Cão - Evans & deLahunta - Guanabara Coogan
Tradução, Pesquisa e Edição - Leandro Jorge - Direitos reservados.

terça-feira, 1 de março de 2011

Olhos


Ao examinar os olhos, os juízes, levam em conta a forma, a cor (em cães que o padrão exige), a posição e a expressão. De modo geral esses itens fazem parte das descrições de padrão racial e são próprios de cada raça. Relativamente à forma e posição, não se pode deixar de lado os aspectos ligados ao tipo, que já foi descrito, isso é de extrema importância em uma análise comparativa ao padrão. Alterações da forma e posição exigidas, geralmente são faltas graves e isso quase nunca é uma percepção simplesmente visual, pois implicam diretamente em modificações de toda a estrutura óssea do crânio (o globo ocular é sempre esférico). Assim, por exemplo, olhos redondos em um Afghan estão associados a crânio longo ou stop muito evidente; da mesma forma olhos achinesados (estreitos) em um Boxer decorrem de crânio estreito, testa fugida (inclinada), focinho longo e de pouca substância, e assim por diante. Relativamente aos olhos, também devem ser considerados, as pálpebras, superior e inferior, que são dobras de pele que servem para protegê-los. Os padrões costumam especificar a pigmentação desejável para a borda das pálpebras, bem como conjuntiva, que é a mucosa interna mas às vezes, isto é permitido ou mesmo desejado. Não se pode esquecer a terceira pálpebra – estrutura fibro cartilaginea localizada junto ao canto interno do olho. Quando distendida altera a expressão do cão.

Todos os aspectos anatômicos são classificados. Os olhos são observados quanto a sua inserção, ou seja, quanto a sua colocação: frontais, oblíqua ou laterais. Depois vem a inclusão: olhos profundos ou proeminentes. Os olhos são classificados, também, por sua forma; ou redondos, arredondados, ovais, amendoados ou triangulares. Os olhos são observados quanto a sua cor; escuros (pretos, castanhos escuros, avelã ou marron escuro e avelã ou âmbar), olhos claros. Alguns padrões determinam – Chesapeake Bay Retrevier, amarelos ou marron claro. Outros padrões permitem – olhos azuis (siberiano), azuis ou cinza (old english sheep dog), azul merle (shetland), amarelo (bloodhound, puli, etc). Alguns padrões toleram – Dogue Alemão, azuis. Dogue Alemão Preto, marrons claros. Dálmata, olhos âmbar. E, muitos padrões, desqualificam pela cor clara: olhos azuis – Pointer Alemão, Bernese, Fila Brasileiro, Malamute do Alaska, Komodor, etc. Ohos amarelos – American Water Spaniel, Briard. Há os olhos mistos na cor (partecoloridos), algumas raças permitem (siberiano) outras toleram . Há os olhos extremamente claros chamados de “Olhos de Porcelana”. Os chamados olhos de rapina são olhos onde o tamanho da íris permite que parte da esclerótica apareça. É sempre uma falta. Um árbitro analisa todos estes aspectos mediante a expressão do cão.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dentes


Os dentes são órgãos duros, resistentes, de estrutura complexa e cor esbranquiçada, que servem à preensão e dilaceramento dos alimentos. Doenças infecciosas ou carência de certos medicamentos, principalmente na fase da troca, podem alterar o aspecto dos dentes definitivos.
Na primeira dentição (de leite) o cão tem 28 dentes e, na segunda dentição (definitiva), o número de dentes é de 42. São 20 dentes na arcada superior e 22 na arcada inferior assim distribuídos:
Arcada superior: 6 incisivos – 2 caninos – 8 prémolares – 4 molares
Arcada inferior: 6 incisivos – 2 caninos – 8 prémolares – 6 molares

O único prémolar superior e o primeiro molar inferior são também chamados de “carniceiros” e são característicos da espécie; os incisivos, considerados aos pares em cada arcada são às vezes denominados de pinças (os laterais).



A falta de dentes constitui defeito mais ou menos grave conforme a raça considerada, e de acordo com as exigências dos padrões.

Outro ponto da maior importância é a oclusão dentária conhecida em cinofilia como “mordedura” e, é sempre verificada pela relação estabelecida entre os incisivos superiores e inferiores.

A mordedura mais comum é a chamada “em tesoura”. Neste caso os incisivos superiores sobrepõe-se aos inferiores, de tal maneira que a face interna daqueles fica justaposta à face externa destes. É encontrada nas maiorias das raças – cães pastores, cães de caça, cães nórdicos, etc, caracteriza-se por ser mais suave e mais segura do que o tipo a seguir, isto é, a mordedura “em torquês”, nestes casos os incisisvos se tocam pelas suas bordas livres. Esta mordida caracteriza-se por ser muito dilacerante mas é pouco segura. Aparece em alguns terriers (é necessário pelo tipo de caça) e, também, em alguns braquicéfalos, devido ao encurtamento do focinho.

Quando os incisivos superiores e inferiores se distanciam muito, temos os chamados prognatismos. Os termos prognatismo superior e inferior usados em cinofilia são inadequados mas, infelizmente, já estão consagrados mais pelo uso. O prognatismo superior (termo correto é retro ou braquignatismo, pois é a mandíbula que se retrai) é sempre defeito. O inferior, quando os incisivos inferiores ultrapassam os superiores tanto pode ser o tipo mordedura desejada, como pode ser uma falta grave. Em vários braquicéfalos é a mordedura ideal ou pelo menos, permitida.

Nos cães de focinho muito longo, não é raro vermos os incisivos superiores distanciarem-se dos inferiores devido à sua implantação, que é mais inclinada; isto não configura um prognatismo típico, da mesma maneira como desvios de um ou outro incisivo dentro do conjunto, não devem ser considerados como prognatismo.

Nas avaliações comparativas o tipo de crânio será, também, como referência. Tomando exemplos extremos: prognatismo superior num braquicéfalo ou, ao contrário, prognatismo inferior num dolicocéfalo, são sempre faltas muito graves, pois fogem as tendências do tipo.

Pure Breed Dogs - 2003 - Glover, Harry - Irewin Copplestone
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tipos de Crânio e Cabeça

Vejamos agora, dentro da idéia dos tipos constitucionais, os tipos de crânio e, consequentemente, os aspectos funcionais e suas características comuns nas diferentes raças. A classificação dos crânios é essencialmente anatômica (óssea), e feita basicamente pelas medidas do comprimento (da extremidade do maxilar) e da largura (entre os ângulos internos das cavidades orbitárias).

Da relação entre essas duas medidas pode mos classificar três tipos básicos de crânios:

- dolicocéfalos
- braquicéfalos
- mesaticéfalos (mesocéfalos).


Nos dolicocéfalos o comprimento (eixo longitudinal) ultrapassa muito a largura (eixo transversal). O crânio é estreito e longo, os arcos zigomáticos e as arcadas superciliares são pouco marcadas e a crista sagital é bem desenvolvida. As cavidades orbitárias são estreitas e laterais.

Nos braquicéfalos o comprimento ultrapassa pouco a largura. O crânio é curto e largo, os arcos zigomáticos são muito desenvolvidos e robustos e as arcadas superciliares bem marcadas. As cavidades orbitárias são redondas e frontais.

Nos mesaticéfalos as proporções são intermediárias, anatomicamente normais. O crânio é acentuadamente longo ou largo, os arcos zigomáticos e as arcadas superciliares são de desenvolvimento médio, sem exageros. As cavidades orbitárias são ovais e fronto-laterais.

Essas descrições são genéricas e, naturalmente, existem exceções, conforme a raça.

Como dissemos, essas classificações são mais anatômicas. Para fins de avaliação dá-se preferência a uma classificação mais zootécnica, que considera o animal mais ao vivo, portanto com a parte óssea e as partes moles, músculos principalmente, além do tecido conjuntivo, pele, etc., neste caso temos os tipos de cabeça, que levam em consideração a forma geral desse segmento sobreposto, é claro, a um determinado tipo de crânio.

São quatro tipos de cabeça;

- graióides
- lupóides
- bracóides
- molossóides

Antes de descrevê-los cabe lembrar que a dolicocefalia é característica da espécie, aparecendo em grau maior ou menor na maioria das raças. A braquicefalia é um extremo oposto, quase excepcional e também pode ser de diferentes graus. A mesocefalia, por outro lado é muito difícil de ser determinada pois implica em índices bem definidos e únicos; qualquer desvio para mais ou para menos implica em diferentes graus de dolico ou braquicefalia.


Graióides são dolicocéfalos extremos. A cabeça pode ser comparada a um cone; não há linhas de transição marcantes entre o focinho e o crânio ou entre o “dorso” e as paredes laterais do focinho, o stop, portanto é muito poiuco marcado ou inexistente e os olhos são estreitos e colocados lateralmente; esta colocação permite um campo de visão bem amplo, imprescindível a animais que perseguem a caça viva e em velocidade pois, qualquer mudança de direção é rapidamente detectada pelo cão, embora sem muita nitidez.
O fechamento das mandíbulas depende mais do músculo temporal e, embora a “mordida” não seja de extrema potência, ela pode ser melhor controlada, permitindo a preensão da caça sem grandes danos. Então sempre associados a cães do tipo longilíneo.

Lupóides talvez é o tipo clássico da espécie canina. São dolicocéfalos em diferentes graus e a cabeça é comparada a um tronco de pirêmide. O stop é mais pronunciado que o tipo anterior; os olhos fronto laterais equilibram campo e acuidade visual e são, em geral, ovais. O arco zigomático de desenvolvimento relativo permite ação equilibrada dos músculos temporal e masseter garantindo equilíbrio entre potência e sutileza na mordida. De modo geral estão associados aos pastores, cães nórdicos e terriers. Estão relacionados a tipos mediolíneos. Alguns autores aqui acrescentam um subtipo – vulpinóides – nos quais o focinho é um pouco mais curto e o crânio é um pouco mais largo, consequentemente os olhos são ligeiramente mais arredondados e deslocados para frente e o focinho destaca-se mais do crânio, lembtrando uma raposa (vulpis). Como exemplo são citados raças como o pomerânia, o welsh corgi, etc.

Bracóides são também dolicocéfalos em diferentes graus e, ás vezes, até moderadamente dolicocéfalos. A cabeça pode ser comparada a um paralelepípedo, metade crânio – metade focinho. A linha superior do crânio é nitidamente paralela à linha superior do focinho. O stop é bem marcado. As faces superiores do crânio ou do focinho são bem destacadas das paredes laterais respectivas. Para os olhos e o arco zigomático valem os comentários feitos para os lupóides. De modo geral os bracóides são do tipo mediolíneo e estão intimamente associados aos cães de caça, tiro e farejadores... pointers, beagles, etc.

Molossóides são essencialmente braquicéfalos. A cabeça é comparada a um cubo ou a uma esfera. Caracterizam-se por encurtamento acentuado do focinho e alargamento nítido do crânio; consequentemente os olhos são arredondados ou mesmo redondos e caracterizam-se por grande acuidade visual. (cães de ataque). Arco zigomático é muito proeminente e robusto garantindo forte inserção para o músculo masseter que em geral é bem desenvolvido; a mordida é extremamente potente mas brusca e com pouca ou nenhuma sutileza. Em casos de braquicefalia, a cabeça torna-se arredondada pelo encurtamento máximo do focinho; o nariz coloca-se quase entre os olhos que são bem redondos, cheios e frontais, como acontece no pequinês. São do tipo brevelíneos e relacionados aos antigos cães de guarda e ataque – boxer, bullmastiff, pug, etc.

Mais uma vez colocamos que essas descrições são genéricas e, conforme área considerada, podem aparecer algumas variações. Além disso, os processos de relação levaram a tipos intermediários - bracolupóides – e até os tipos de difícil definição, como é o caso do bullterrier, que é um dolicocéfalo, tem olhos triangulares bem estreitos e separados, mas arcos zigomáticos muito fortes, com masseteres extremamente desenvovidos, para citar apenas alguns detalhes.

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